Bairros

Móveis também são improvisados

Thaís da Silveira
| Tempo de leitura: 2 min

Não é apenas na estrutura das casas que os moradores de bairros carentes ou favelas improvisam. Os objetos encontrados nas ruas e bolsões de entulho ou doados são levados para dentro das residências e viram móveis ou acessórios.

Na casa de Luzia Bento, que fica na favela do Jardim Maria Célia, os pedaços de madeira encontrados nas ruas tiveram muita serventia. A pia da cozinha ganhou um armário improvisado, que hoje abriga panelas e utensílios domésticos.

O suporte para a televisão também foi feito com os pedaços de madeira encontrados nas ruas.

Na casa da Rosimeire de Andrade, que mora no mesmo bairro, a cortina foi feita com pedaços de bambu justapostos e os pés da cama - a única para os seis moradores da casa - são de tijolos.

Ivonete da Silva improvisou não só com móveis, mas com o ventilador da casa. O aparelho, feito para ser apoiado sobre o chão ou móvel, foi pendurado no teto, sobre a cama do casal, e funciona como um ventilador de teto.

“Não tem perigo porque o meu marido colocou bem colocado”, diz. Ivonete mora há dois anos na favela e conta que gosta do local. “A gente gosta daqui. É um lugar gostoso e sossegado”, afirma.

Cláudia de Oliveira logo identificou-se com o tema da matéria quando foi abordada pela equipe do JC. “Aqui tem bastante coisa improvisada. Mas o importante é não pagar aluguel. O resto é conseguir encaixar o serviço de casa direitinho e tudo bem”, avalia.

Como ela não tem armário na cozinha, guarda as louças sobre um baú sem tampa posicionado sobre a mesa da cozinha. A família conseguiu o objeto através de uma doação.

O tanque da área de serviço também tem um pouco de improviso. Ele está sendo sustentado por pedaços de madeira de diversos tamanhos para que não caia.

Sobre o bairro, Cláudia diz que é tranqüilo, mas que é complicado morar lá. “Cada um está aqui por motivo de força maior. Não é porque quer não”, reforça.

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