Lençóis Paulita - Segundo o pesquisador Edson Fernandes, ao contrário do Vale do Paraíba, onde a escravidão se firmou em um cenário produtivo voltado para a exportação, na região de Lençóis Paulista a base da economia estava centrada na demanda local e regional, até porque não havia meios de escoar as mercadorias. “Não havia ferrovia, ela chegou depois. Então, a produção aqui era voltada para o mercado regionalâ€, afirma.
O local foi povoado por pequenos proprietários, que vieram para o interior do Estado em busca de novas terras e oportunidades. A economia era apoiada na produção de algodão, cana-de-açúcar, criação de animais e, já no final do período escravista, em 1880, pelo início da cafeicultura.
Parte das famílias que desbravaram a região, segundo Fernandes, era proveniente de Minas Gerais. “Esses mineiros vinham para cá e traziam sua família e seus escravos.†Muitos negros nesse período de povoamento também teriam se deslocado de regiões mais antigas da província de São Paulo.
O tipo de propriedade era de pequenas plantações, as quais possuíam, em média, de um a cinco escravos. “Um dos meus objetivos era estabelecer o padrão de posse dos escravos. Se em Lençóis eram grandes proprietários ou pequenos. E hoje a gente sabe que eram pequenos.â€
Para chegar a esses números, o historiador leu cerca de 150 inventários datados do século 19, que foram levantados no cartório de Agudos. Nos documentos, a família Cardia, se destaca como proprietária de 33 escravos, o maior número que se tem registro no período. “Se você pegar o Vale do Paraíba tinha fazendas com 50, 100 escravos. Se você pegar a Bahia, 200 escravosâ€, afirma.