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Amianto continua proibido em Bauru

Da Redação
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O Supremo Tribunal Federal (STF) derrubou uma lei estadual que impedia a venda e o uso do amianto a partir de 2005. Especialistas afirmam que o mineral, que é utilizado na fabricação de produtos como caixas d’água e telhas, traz prejuízos à saúde. Em Bauru, a proibição existe desde 2001, quando a Câmara Municipal aprovou um projeto do vereador Clemente Rezende (PSB).

A decisão da Justiça atende a um pedido do governo de Goiás, Estado que possui a maior mina de amianto do País e alega que somente a União poderia legislar sobre o assunto.

Clemente acredita que a determinação do STF não atinge a lei municipal. “Falei com o nosso consultor jurídico e fui informado de que seria necessário que alguém procurasse a Justiça com o intuito de provocar o cancelamento da medida na cidade”, explica.

O vereador defende a continuidade da proibição. “Já foi comprovado que o amianto é cancerígeno”, frisa.

O proprietário de uma loja de materiais para construção, Alexsandro Maia da Rocha, diz que a volta do amianto, também conhecido como asbesto, agradaria a uma parcela dos clientes. “Tem gente que não gosta das caixas d’água de plástico”, conta.

Ele afirma que o cancelamento da proibição teria pontos positivos, e outros nem tanto. “No aspecto dos consumidores, seria bom, mas temos que pensar também no problema da saúde”, pondera.

Para outro proprietário de uma loja do ramo, Luiz Henrique, o preço é o grande trunfo do mineral. “Ele é a única alternativa das pessoas de baixa renda na hora de cobrir uma casa”, diz.

Segundo ele, a preocupação quanto aos malefícios do amianto é desnecessária. “A extração e fabricação dos produtos seguem as normas exigidas pelos órgãos competentes. Além disso, não existe nada na literatura médica que comprove prejuízos à saúde de quem utiliza as caixas d’água de amianto”, sustenta.

O médico pneumologista Sebastião Benetti explica os perigos que o mineral pode causar. “Ele possui fibras muitos pequenas que, quando aspiradas, provocam inflamações e o endurecimento do pulmão, o que leva a uma doença chamada asbestose, em referência ao outro nome pelo qual o amianto é conhecido”, alerta.

Benetti afirma que não há cura para o problema. “As lesões são irreversíveis. Não se consegue fazer o tecido voltar ao normal e não há tratamento”, ressalta.

O pneumologista lembra, porém, que é preciso ficar muito tempo exposto ao mineral para estar sujeito à enfermidade. “Isso só acontece com quem trabalha na extração ou manufaturamento. Quando o manuseio é inevitável, o mais recomendado é que haja uma rotatividade de pessoal.”

Leis

A lei estadual n.º 10.813, aprovada pelo legislativo paulista em 2001, proíbe a importação, extração, beneficiamento, comércio, fabricação e instalação de materiais contendo amianto dentro do Estado. Ela deveria entrar em vigor em janeiro de 2005.

São Paulo não é o único Estado que decretou a proibição do material. No mesmo ano, Mato Grosso do Sul criou uma lei que impede a fabricação, ingresso, comércio e estocagem de amianto destinado à construção civil. O STF também derrubou esta determinação.

A legislação municipal de Bauru prevê multa de seis salários mínimos para quem produzir ou comercializar produtos que contenham o mineral. Além disso, proíbe a expedição de alvará para os estabelecimentos que descumpram a medida.

O amianto tem como características a incombustibilidade, boa capacidade isolante, durabilidade e resistência, entre outras.

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