Seja para unir um anzol à linha ou para fazer uma amarração com segurança do bote à carreta, o pescador tem que dominar a arte de fazer nós. Aliás, dar nó é a lição número um dos “marinheiros de primeira pescaria”.
Um artifício bastante utilizado, mas não muito divulgado por aqueles que entendem de pesca é a saliva. Isso mesmo, o cuspe é um excelente lubrificante para atar os nós em linha de nylon. O pescador Gerson Kavamoto, especialista em pescarias de tarpons nos flats da Flórida, não hesita em usar a saliva para conseguir bons resultados em seus nós.
Cada pescador tem os seus nós preferidos, alguns mais sofisticados, outros mais simples, mas sempre aqueles que satisfazem suas necessidades na hora da pescaria.
Além dos nós para atar a linha ao anzol, o pescador deve dominar pelo menos algum tipo de nó para unir a corda da embarcação em árvores ou cais. Isso porque mesmo que o pescador não seja o condutor do barco, há momentos de emergência em que ele poderá ser solicitado para “executar o serviço”, e aí não pode errar.
O pescador Eurico Batista de Oliveira, que também possui carteira de arrais e não perde uma oportunidade de navegar por nossos rios, comentou alguns nós que acredita serem fundamentais para o pescador.
“Na linha de pesca, usamos nós diferentes para cada momento: para unir a linha ao anzol, prender na carretilha, unir os giradores, colocar a chumbada, empates. Enfim, há usos e variações para cada nó. É preciso saber o tipo certo para a ocasição”, orienta Oliveira.
Uma situação, que não chega a ser de risco, é o pescador de iscas artificiais ficar sem o snap. É um engate rápido, que serve para o pescador trocar com facilidade as iscas artificiais. “Às vezes você está com uma isca de profundidade e vê os tucunarés atacando na superfície. É necessário uma troca rápida de isca para aproveitar o momento”, lembra o pescador.
Mas há ocasiões em que o snap não está à mão. Nesse caso, o pescador deve apelar para o nó. Diferente do nó para o anzol, que deve estar rente à linha para evitar enroscos, o nó para iscas artificiais deve fazer uma “argolinha”, o que dá movimento à isca.
Uma sugestão do pescador é manter sempre à mão um alicatinho ou mesmo um cortador de unhas para cortar a linha de pesca. Além de poupar o pescador de sacrifícios desnecessários, não agride a linha e a deixa com um acabamento que facilita na hora de atar um novo nó.
Treinar é fundamental
Há tipos de nós bastante sofisticados, que exigem um pouco de treino. Alguns, como o Bimini Twist (aprenda a fazê-lo no www.flyonline.com.br/bimini.htm), por exemplo, exigem, além de várias tentativas, uma certa habilidade do pescador. Cheio de voltas, laços e tensões, o Bimini Twist é, sem dúvida, um dos mais difíceis de fazer, mas que oferece 100%, quando bem atado.
O Bimini Twist é usado para dar resistência ao conjunto, principalmente na pesca oceânica e de grandes exemplares. Kavamoto é “expert” no Bimini Twist, que não dispensa na hora de preparar seus líderes para a pesca de tarpon.