Paulistânia - O vereador Márcio Roberto Idalgo (PSDB), o Pigê, renunciou anteontem ao seu mandato na Câmara Municipal de Paulistânia (49 quilômetros a Sudoeste de Bauru). Na última segunda-feira, o Legislativo havia aprovado uma Comissão Especial de Inquérito (CEI) para apurar denúncias contra o vereador.
Essa foi a primeira renúncia registrada na pacata cidade de cerca de 1.800 habitantes. Pigê alegou que os motivos são de foro íntimo.
Conforme matéria publicada pelo JC na edição de quinta-feira, Pigê é acusado de ter depositado em conta particular dois cheques de R$ 490,00 destinado ao pagamento de uma empresa de informática, que havia prestado serviços à Câmara.
Segundo o presidente do Legislativo, Livino Rodrigues (PSDB), os cheques teriam sido emitidos nos dias 4 de julho e 24 de setembro do ano passado, época em que Pigê ocupava o cargo de presidente da Casa.
Rodrigues afirma que recebeu o pedido de renúncia do vereador sem surpresas. Na opinião dele, o ato reforça as denúncias contra Pigê. “Eu já esperava por isso”, afirma.
O presidente da Câmara acusa o vereador de ter renunciado estrategicamente para preservar seus direitos políticos.
Procedimento
Segundo Rodrigues, os vereadores se reunirão para saber qual o encaminhamento que será dado à CEI, após a renúncia do vereador. “Nós estamos estudando o nosso regimento interno e o Jurídico também está analisando para saber qual será o nosso procedimento”, afirma.
Segundo o advogado da Câmara, Jefferson Pedro da Cunha, está sendo considerada a possibilidade de dar continuidade aos trabalhos de investigação da CEI, para posterior representação junto ao Ministério Público Federal, se constatado atos de improbidade administrativa.
Na próxima sessão legislativa, no dia 9 de junho, o pedido de renúncia será lido no plenário e o suplente Milton Antunes de Miranda (PSDB) tomará posse no cargo.
Magoado
Pigê afirma que a decisão de deixar o cargo já vinha sendo avaliada há algum tempo. “Não é medo de ser cassado. O motivo é pessoal”, afirma. O político defende que nada fez de errado e que as acusações contra ele foram desencadeadas por desafetos particulares. “Eu sei que foi uma perseguição.”
Pigê afirma ainda que, tão logo, não tem a intenção de retornar à política. “Só o tempo vai dizer. No momento eu não tenho intenção. Eu estou meio enjoado de política.” O vereador, que trabalha na mercearia de sua irmã, estava exercendo seu segundo mandato. Nas últimas eleições, foi o segundo mais votado na cidade, com 127 votos.
Segundo ele, as acusações que colocaram em xeque sua conduta o abalou emocionalmente. “Eu fiquei muito magoado, nunca aconteceu uma coisa como essa aqui”, afirma. “Já que eles não gostam de mim é melhor eu ficar longe deles. Lá dentro eu só estava passando nervoso.”
____________________
Mesmo partido
A denúncia contra o vereador Márcio Roberto Idalgo (PSDB), o Pigê, foi apresentada pelo presidente do Legislativo, Livino Rodrigues, do mesmo partido.
Rodrigues afirma que o fato não representa uma crise interna no diretório municipal. “Trata-se de moralizar a coisa. Não é pelo fato de sermos do mesmo partido que eu vou apoiar as lambanças dele”, acusa.
Segundo Rodrigues, o seu relacionamento com Pigê, politicamente, sempre foi dos melhores.
Na opinião de Pigê, a história é outra e as acusações foram motivadas por desavenças pessoais.