Bairros

Visuais e auditivos pedem melhorias

Thaís da Silveira
| Tempo de leitura: 4 min

Os obstáculos para deficientes auditivos e visuais são distintos dos que os portadores de deficiência física encontram pelo caminho, mas também existem aos montes na cidade.

Para os cegos, faltam informações em braile, semáforos, sonoros, pistas-táteis e menos obstáculos nas calçadas, como telefones públicos em locais inadequados, rampas e buracos.

Para os surdos, faltam, principalmente, intérpretes, orientação às famílias e vagas em escolas com professores habilitados para trabalhar com crianças e adultos.

Na falta disso tudo, os deficientes se viram como podem. José Araújo Melo, deficiente visual há 17 anos devido ao glaucoma, costuma andar sozinho pela cidade a pé. Ele diz que atravessar as ruas é sempre um desafio.

O ouvido bem treinado garante, às vezes, a travessia. Mas, na maioria das esquinas, principalmente nas ruas e avenidas de maior movimento, é necessário ajuda. “A gente chega na esquina, liga a antena e fica captando”, explica.

Na opinião de Melo, que mora no Jardim Bela Vista, o semáforo sonoro facilitaria muito a vida dos deficientes visuais. “Se está na lei, por que eles não colocam? Só falam, falam, falam”, reclama.

Outro problema é a falta de informações em braile. A lei prevê que em todos os restaurantes e lanchonetes deve haver cardápios especiais para deficientes visuais. Ainda assim, são poucos os estabelecimentos que cumprem a regra.

O braile também seria bastante útil em pontos de ônibus, com informações sobre as linhas, e nas esquinas, com os nomes das ruas.

“Seria uma beleza se todos os estabelecimentos tivessem informações em braile. Você passa o dedo e sabe tudo o que tem e o que você vai pedir”, expõe Melo.

A pista-tátil na calçada é outra reivindicação. Trata-se de uma trilha na calçada que tem de 30 a 35 centímetros e textura diferenciada, que permite ao cego identificar o caminho livre para ele transitar. Com freqüência, Melo tromba em obstáculos e em pessoas desatentas.

A secretária municipal do Planejamento, Maria Helena Rigitano, diz que ainda não há previsão de pistas-táteis para Bauru. “Colocar na lei é a coisa mais fácil do mundo. O difícil é cumprir e ter recursos. O Brasil não precisa de mais leis. É cumprir. Cadê a verba? Não é só fazer a lei”, diz.

A Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb) informou que também não há data prevista para instalação dos semáforos sonoros.

Auditivos

O coordenador do Conselho Municipal dos Direitos da Pessoa Portadora de Deficiência (Comude), Francisco Takao Kajino, diz que faltam na cidade pessoas preparadas para o atendimento de deficientes auditivos através da linguagem de sinais em locais como postos de saúde e hospitais, rodoviária, aeroporto etc.

Ele afirma também que a maioria das escolas não está preparada para receber essa população. “Por isso, há um alto grau de analfabetismo entre os surdos. A maioria não sabe ler e escrever. Não adianta você escrever no papel porque eles não sabem ler”, diz o coordenador do Comude.

Mais uma vez, a prática se contrapõe à teoria, já que a legislação prevê oferta obrigatória e gratuita de educação especial em estabelecimentos públicos de ensino.

A conseqüência é que muitos surdos não têm emprego. “Eles são mentalmente capazes, mas o problema da comunicação os atrapalha”, insiste Kajino.

O professor Renato Lira, que dá aula de Linguagem Brasileira de Sinais (Libras) no Núcleo de Habilitação e Reabilitação (NIR) do Centrinho, diz que o sonho do surdo é que houvesse intérpretes em todas as escolas, clínicas médicas, aeroporto e estabelecimentos comerciais.

Com freqüência, a falta de habilidade e paciência das pessoas em estabelecimentos comerciais faz com que Lira procure outro local em que seja melhor atendido.

O professor conta que os surdos ainda reclamam da escassez de intérpretes na rede estadual de ensino. “A demanda é muita. Há professores em Bauru que sabem libras, mas eles não estão inseridos na rede”, explica.

Lira, por três vezes, começou a freqüentar cursos universitários e parou porque não havia intérpretes.

Outra reivindicação que ele faz é que haja em Bauru mais aparelhos de telefone adaptados com teclados para surdos, que são caros.

____________________

Deficientes mentais

Segundo o Conselho Municipal dos Direitos da Pessoa Portadora de Deficiência (Comude), falta vaga nas escolas e entidades para deficientes mentais em idade adulta.

“Todas as entidades em Bauru atendem adolescentes e crianças. Só uma atende pessoas com até 35 anos”, explica Francisco Takao Kajino, coordenador do conselho.

Maria Glória Monge, mãe de um rapaz com síndrome de down, diz que acredita que seja necessário incentivar a inclusão de deficientes mentais em salas comuns.

“Eu prefiro muito mais o meu filho numa classe comum com pessoas que aceitem ele do que numa sala especial. Nada no mundo substitui essa convivência saudável”, afirma.

De acordo com Maria, numa sala comum, os deficientes aprendem e se desenvolvem mais.

“Meu filho se desenvolveu muito quando foi para uma sala comum”, conta.

Comentários

Comentários