O prefeito Nilson Costa (PTB) tem à sua disposição desde ontem à tarde pelo menos 163 cargos de livre nomeação da administração direta para realizar as reformas administrativa e política necessárias para tentar concluir seus 19 últimos meses de mandato. Contando com a gestão indireta, são cerca de 200 postos que formam a lista coletiva de comissionados que passaram a assinar as cartas de colocação dos cargos à disposição do Executivo desde ontem.
O prefeito foi comunicado sobre a decisão de seus subordinados, mas ainda não decidiu por onde começar as mudanças e quais serão as dispensas. Segundo o chefe de Gabinete da Prefeitura Municipal de Bauru, coronel Antonio Sérgio Marsola, as assinaturas foram espontâneas e tomadas a partir de reunião realizada pelo secretariado ontem, no Palácio das Cerejeiras.
Para Marsola, a ida de Nilson do PPS para o PTB, ocorrida na semana passada, já prenunciava mudanças. “O prefeito deixou claro que a mudança de partido exigiria uma reacomodação em função do novo quadro político. E os secretários e demais detentores de funções de confiança quiseram deixar o prefeito à vontade”, explicou.
Somente ontem, assinaram a “carta” pelo menos 110 pessoas. Mas o total de postos da prefeitura chega a 163, entre secretários, chefes, diretores e assessores. Nenhuma pasta ficou de fora. Além disso, outras dezenas de funções foram disponibilizadas por integrantes do Departamento de Água e Esgoto (DAE), da Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural (Emdurb) e da Companhia de Habitação Popular de Bauru (Cohab).
A medida em grupo visa não gerar dificuldades para que o chefe do Executivo recomponha seu quebra-cabeças político e administrativo. Nilson Costa já discute a questão há mais de uma semana. Mas o fim da fase de investigação na Comissão Especial de Inquérito (CEI) que apura possíveis irregularidades na compra de toneladas de carne para a merenda escolar certamente antecipou o ato coletivo de disponibilização dos cargos.
Engenharia política
O prefeito agora passa a conversar e a amarrar o mapa de cargos em relação às vertentes políticas e administrativas. Não é a primeira vez que o governo atual enfrenta a necessidade de recomposição administrativa em razão de questões políticas.
Mas, desta vez, as proporções da crise são maiores do que em episódios como o caso marmitex, onde o governo foi pressionado a efetuar mudanças em função de denúncias levantadas em relação ao custo de refeições na administração, em 2001.
Antes da votação do relatório final da CEI da Carne na Câmara (fato que pode ocorrer em até 15 dias), o prefeito terá a oportunidade de mexer na equipe.
A oposição trabalha para que secretários, diretores de departamento e o próprio prefeito tenham que responder pelos cargos em processos administrativos e políticos. Para o prefeito, a aprovação de uma Comissão Processante significaria ameaça a seu mandato. Em conversas reservadas, até os mais otimistas integrantes do governo não acreditam que a CEI não vá pedir a abertura de processo visando a cassação de mandato de Nilson Costa.
Basta lembrar que a comissão iniciou os trabalhos pedindo ao prefeito que afastasse quatro secretários dos cargos, sendo Luis Freitas, da Administração; Luiz Pegoraro, do Jurídico; Isabel Algodoal, da Educação; e Raul Gomes Duarte, das Finanças. Ninguém saiu por enquanto.
Entretanto, agora as mudanças passam pela necessidade de sair da crise. Mas o prefeito terá que ser habilidoso. No governo, as articulações demonstram que a administração vai precisar dar calmante para que todos aceitem, sem alarde, a “guilhotina” política.
Alguns secretários podem apenas trocar de pasta. Mas outros (ainda não se sabe quantos e quando) terão que sair; se não agora, depois. Muitos assessores ficarão, até porque muitas indicações passam por vereadores. Mas outros terão que abrir espaço para a reacomodação, que tem como questão central a sustentação política.
Nilson Costa não participou da reunião do secretariado de ontem. Ele recebeu a decisão dos seus subordinados através da chefia de Gabinete. Oficialmente, Nilson tem à sua disposição as cartas que precisa para fazer a recomposição.