Não consigo reprimir a vontade de escrever sobre um assunto que vem indignando todos os bauruenses que, verdadeiramente, amam e prezam a natureza: o desrespeito às pouquíssimas árvores que ainda existem em nossa cidade.
Aproveitando o gancho da carta (aliás, muito bem redigida), enviada pela doutora Jacqueline Didier a essa Tribuna, publicada no JC de 27/5, sob o título “Pertinho da minha casa tem um lugar lindo”, com muita tristeza tenho que, também e infelizmente, afirmar que defronte ao meu apartamento (quadra 29 da rua Gustavo Maciel), tinha uma quadra inteira de árvores, frondosas, belas e sadias, que abrigavam quantidade infindável de pássaros que alegravam com seus gorgeios e, na primavera, cobriam-se de flores amarelas, deixando a todos extasiados ante tanta beleza, além de proporcionar muita sombra, deixando o ar agradável e protegendo, do sol inclemente, os carros que sob elas estacionavam.
Isso existia até o dia 21 deste mês de maio, quando uma mente perversa e insana, que até agora não sabemos quem é, determinou a destruição das mesmas. Homens, desalmados, empunhando malditas motos-serras, cortaram sem piedade todos seus frondosos galhos, deixando apenas uns poucos que se erguiam para o céu, como que em uma prece, pedindo perdão a Deus por terem nascido. Não tenho vergonha de dizer que lágrimas correram de meus olhos, sofrendo pelo que via.
Não existe explicação para isso, Jacqueline. Não foi a CPFL, desta vez, quem fez esse estrago, pois sequer fiação existe naquele lado da quadra. Quem portava essas armas destruidoras da natureza, era um caminhão, de cor cinza, sem identificação, que deve pertencer a alguma empresa contratada pela Prefeitura Municipal.
Não dá para acreditar que o nosso Secretário do Meio Ambiente esteja por detrás disso, aprovando esse desastre ecológico. Além de não se plantar mais nenhuma árvore defronte às casas desta cidade, o que deveria ser obrigatório (quando muito planta-se alguns arbustos ornamentais), matam as que existem. Já contaram quantas árvores tem em toda extensão da rua Bandeirantes? Contem, por favor.
Pelo amor de Deus, deixem nossas árvores em paz... (Alzira Garcia - OAB/SP 38.049)