A Rede Ferroviária Federal S/A (RFFSA) suspendeu o leilão dos 136 vagões e cinco locomotivas fora de operação estacionados no Parque Triagem Paulista em Bauru, que seria realizado hoje em São Paulo. Segundo o presidente da Comissão de Leilão da empresa, Aurélio Moura Chagas, o motivo foi a troca de diretores. “Recebi um fax comunicando o adiamento”, afirma.
Ele diz que ainda não há uma nova data para que o leilão seja realizado. “Vamos aguardar a autorização para remarcá-lo”, conta.
A RFFSA entrou em liqüidação no final de 1999, quando foi concluída a transferência do sistema ferroviário para o setor privado. O processo deveria durar 180 dias, mas vem sendo prorrogado sucessivamente através de assembléias gerais. A próxima será amanhã, quando, oficialmente, os novos diretores, conhecidos como liqüidantes, serão apresentados.
No leilão que foi suspenso, a empresa iria vender como sucata os trens que têm sido alvo constante de saques. Nos últimos meses, a Polícia Militar prendeu várias pessoas que estavam retirando peças dos trens. Em um ferro-velho, foram encontradas cerca de 20 toneladas de material furtado.
Para o comandante da 1.ª Companhia da Polícia Militar de Bauru, capitão Benedito Roberto Meira, a retirada dos vagões e locomotivas do Parque Triagem Paulista resolveria o problema dos saques. “Esse material oferece um atrativo porque tem valor no mercado. Se ele for leiloado, sentiríamos uma melhora”, opina.
Ele lamenta o estado de conservação dos equipamentos. “Depois da privatização, sentimos um sinal de abandono”, diz.
Os trens que seriam leiloados estavam sob controle da Ferrovia Bandeirantes (Ferroban), que os devolveu posteriormente à RFFSA, manobra permitida pelo contrato de concessão.
Para o presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Empresas Ferroviárias de Bauru, Mato Grosso do Sul e Mato Grosso, Roque Ferreira, a falta de preservação dos trens é lamentável. “Nós consideramos esses leilões de equipamentos que não servem mais como algo normal. O grande problema é que, anteriormente, a maioria das máquinas estava em perfeitas condições de uso”, diz.
Roque acha que a culpa pelos saques não pode ser atribuída à RFFSA. “Como ela está em processo de extinção, não tem mão-de-obra suficiente para fazer a segurança do material. Isso acontece no Brasil inteiro”, afirma.
O sindicalista acredita que é possível revitalizar o setor ferroviário, em especial a RFFSA. “Um grupo de trabalho já foi constituído para tratar desse assunto. A assembléia do dia 29 vai garantir a prorrogação do prazo para o encerramento da liqüidação da empresa por mais 180 dias”, completa.