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Depressão: o que é?


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O incontestável Freud explicava em uma de suas antologias que, no processo provocador da depressão que ataca as pessoas, dois fatores são notoriamente determinantes: a agressividade mal orientada e o trauma. E discriminava essas forças básicas no ser humano como sendo especialmente o amor e o ódio. Aquele, atraindo, unindo, acariciando, e, o outro, repelindo, separando e agredindo. Conseqüentemente, ao amor deve-se a paz, e, ao ódio, a guerra, com tão maus exemplos em recente demonstração no Oriente Médio. Aduzia ainda o filósofo que “a agressividade é o ódio reinante em si mesma, existindo para lançar obstáculos sobre o amor, de sorte que, por sua própria natureza, visa prejudicar o homem, enquanto o amor pode ser traduzido como qualquer outro tipo de ação bondosa”. Então - completa - “o problema da depressão depende do modo como é orientada a agressividade. Para que a orientação seja positiva, importa alargar os horizontes do ideal proposto, crescer na maturidade e adaptar-se na maleabilidade à vida do dia a dia”. Na sua triste origem, a depressão leva a pessoa a sentir-se abatida, desanimada, triste e incapaz de pensar ou concentrar a atenção em outra coisa a não ser no aborrecimento que a aflige. E, então, pode até levar ao suicídio. Consegue, porém, ser evitada? Sem dúvida, afirmam clínicos especializados, pois, se há possibilidade de se combater a neurose e a psicose, com mais simplicidade a depressão corriqueira é passível de cura, podendo até ser evitada, não bastando conhecer-se a definição operacional do que ela seja, mas entrar na sua correta essência, uma vez que para se combater o inimigo é necessário conhecê-lo bem”. Então, quando ela surpreende as pessoas, impõe seja devidamente identificada pelas “vítimas” ou por suas “polícias” - os respectivos médicos - tendo em vista diagnosticar o seu crime e a forma pela qual foi ele praticado, cujas consequências são o produto final de um processo que coloca o indivíduo numa fase de debilidade indefinida, de desânimo, tristeza e desestímulo para lutar na vida. A depressão parece pouco ofensiva? Parece, simplesmente! Os médicos que opinem, dêem a última palavra antes que as suas vítimas o façam. É a nossa opinião. (O autor, N. Serra, é o jornalista responsável do JC e delegado regional da Associação Paulista de Imprensa e da Ordem dos Velhos Jornalistas do Estado)

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