Turismo

O bumba na 'capitá'

Eliane Barbosa
| Tempo de leitura: 2 min

O São João do Maranhão é cercado de música, ritmo e muitas cores, com o Bumba-Meu-Boi dando todas as cartas.

O toque da matraca afinada, dos pandeirões e dos tambores contagia os terreiros (como são chamados os espaços destinados à festa), fazendo o povo delirar.

Se em todo o País festa junina é sinônimo de quadrilha, fogueira, pamonha e quentão, em São Luís quer dizer Bumba-Meu-Boi. A brincadeira típica do Maranhão vira o assunto de todas as rodas nos dez últimos dias de junho, fazendo com que até os governantes participem junto do povo do “espetáculo popular”.

A ex-governadora Roseana Sarney é uma das entusiastas da festa do bumba. Percorre vários terreiros em junho, alegrando-se com o povo e agradecendo graças recebidas.

O bumba mistura folclore com religião. Durante o mês de junho, inúmeros grupos, procedentes de todo o Estado, invadem as ruas e clubes, transformando a capital maranhense num terreiro caboclo.

É um espetáculo autêntico e grandioso, que a cada ano atrai maior número de visitantes. Os “bois” usam vestimenta colorida, cheia de fitas, veludo, máscaras, chapéus, bordados e penas. São mais de 300 grupos espalhados por São Luís e outros municípios como Axixá, Pindaré e Morros que fazem a alegria dos turistas convidados para “brincar o boi”.

Os ensaios principais são realizados no dia 13, Dia de Santo Antônio e a maior festa popular no dia 23, véspera de São João.

É a hora do batismo, momento em que o boi é abençoado pelo santo, na sede do grupo, e ganha roupa nova. O batismo (para que os bois não saiam às ruas como pagãos) a cargo de um cantador é completado pela alegria de outros cantores e do público presente à festa.

No dia seguinte, 24, Dia de São João, é o momento mais esperado, culminando com as apresentações oficiais. A animação não termina aí. No dia 29 é realizada a procissão dos barcos em louvor a São Pedro que sai da Baía de São Marcos e vai de encontro aos grupos na Praça de São Pedro, em Madre de Deus.

No dia seguinte, 30 de junho, é comemorado o Dia de São Marçal, quando é celebrado no bairro de João Paulo o drama de Pai Francisco e Mãe Catirina, protagonistas da lenda da morte e ressurreição do boi.

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A lenda do boi

A festa gira em torno do capataz Francisco e sua Catirina. Grávida, ela pede ao marido que mate o melhor boi do patrão para satisfazer seu desejo de comer a língua do animal.

Mas Francisco é surpreendido e preso. Só consegue a liberdade com a ressurreição do boi Mimoso graças a uma série de feitiçarias.

A festa é em louvor ao boi Mimoso que volta do além finamente adornado.

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