O cultivo do maracujá está sendo apontado como um ótimo investimento para a agricultura familiar. Segundo o secretário municipal da Agricultura, Cynise Pereira Leite, a região de Bauru é muito propícia para a fruticultura, especialmente para este produto.
Com o objetivo de disseminar a idéia na região e incentivar produtores e entidades, foi desenvolvido um projeto de políticas públicas em parceria com a Secretaria Municipal de Agricultura, Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (Apta) e o Departamento de Ciências Biológicas da Universidade Estadual Paulista (Unesp/Bauru).
A implantação do projeto foi solicitada à Fundação de Amparo à Pesquisa no Estado de São Paulo (Fapesp), que o aprovou. A chamada “fase 1” está sendo realizada desde março e prossegue até agosto deste ano.
Além do maracujá, o projeto também pleiteia o desenvolvimento de políticas públicas para as culturas de figo e uva.
“Esse tipo de cultura oferece aos pequenos produtores a chance de encontrar condições de sobrevivência e permanência na área rural. Mais de 50% das propriedades rurais da região de Bauru são de pequeno porte, e o maracujá é uma cultura simples de manter e que se adapta muito bem às condições que temos aqui”, afirma o secretário municipal da Agricultura.
Com o objetivo de expandir a divulgação sobre essa cultura na região, recentemente foi realizado o “Dia de Campo do Maracujá Amarelo”, no centro experimental Campo Novo da Universidade do Sagrado Coração (USC). Foi a primeira atividade que marcou a fase 1 de desenvolvimento do projeto.
Segundo o secretário da Agricultura, o evento foi um sucesso. Foram feitas mais de 120 inscrições e, no Dia de Campo, estiveram presentes cerca de 90 inscritos. “Isso nos entusiasma, mostra que muitas pessoas estão interessadas e que o projeto está sendo bem recebido. Temos um grande mercado consumidor, mas ainda importamos muitas frutas, e a região de Bauru é muito propícia para a fruticultura”, observa Leite.
De acordo com o professor doutor Aloísio Costa Sampaio, da Unesp, há cerca de dez anos a região de Vera Cruz era um grande pólo produtor de maracujá. Mas problemas comerciais seguidos de uma doença até então desconhecida prejudicaram os negócios.
“Essa cultura se disseminou naquela região como uma alternativa econômica ao café. Os produtores tiveram ótimos ganhos com essa atividade, chegando a colher de 30 a 40 toneladas de maracujá por hectare. O número de produtores cresceu muito e foi criada a Associação de Fruticultores de Vera Cruz (Afruvec), com 200 membros”, conta o professor.
Mas segundo ele, há aproximadamente quatro anos foi detectado o surgimento de uma virose - transmitida por pulgões - que se espalhou muito rápido entre as plantações de maracujá naquela região.
“Isso faz com que se enxergue a região de Bauru como um novo pólo produtor de maracujá. E para evitar o que aconteceu em Vera Cruz, foi desenvolvido o projeto de políticas públicas sob a coordenação da engenheira agrônoma e pesquisadora científica Aparecida Marques de Almeida, da Unidade de Pesquisa e Desenvolvimento (UPD) da Apta em Bauru. Como parceiro extra-oficial está a USC”, diz Sampaio.
Resultados
O objetivo do projeto, segundo a coordenadora, é articular a parceria com a oferta de conhecimento da Apta e da Unesp. “A troca de experiências e informações produzirá a aceleração da disseminação dos resultados obtidos. Além disso, possibilitará a solução mais rápida e adequada de problemas que exijam investigação científica”, destaca Aparecida.
De acordo com ela, o problema ocorrido em Vera Cruz limitou a produção do maracujá. Somando a isso as condições propícias oferecidas pelo solo e condições climáticas da região de Bauru, os pequenos agricultores podem encontrar nesta cultura a saída para incrementar seus negócios.
“Esse projeto de políticas públicas - intitulado Desenvolvimento Sustentável em Horticultura para Agricultura Familiar e Assentamentos na Região de Bauru - atuará no desenvolvimento tecnológico com perspectivas de elevação da renda e do emprego na área rural da região, em especial nas culturas familiares”, observa Aparecida.
De acordo com ela, dependendo do sucesso da chamada fase 1 do projeto - da qual o Dia de Campo do Maracujá Amarelo fez parte -, a Fapesp poderá ampliar o tempo e o valor do financiamento oferecido. “Se obtivermos sucesso agora, a Fapesp poderá conceder alguns benefícios ao projeto, como a liberação de verbas de até R$ 200 mil para os próximos dois anos”, afirma a coordenadora do projeto.