Batidas fortes e ritmos compassados produzidos em um tambor feito de madeira e couro de animais. Esse é o som que caracteriza o taikô, uma arte milenar do folclore japonês praticada com instrumentos de percussão. Existente desde o início da civilização japonesa, a arte já pode ser apreciada em Bauru.
Teve início ontem, no Clube Cultural Nipo Brasileiro, um curso ministrado pelo professor Yukihisa Oda, natural da província de Fukuoka, no Japão, e que está em Bauru para formar o primeiro grupo de taikô da cidade. Segundo a diretora cultural do clube, Tereza Tiê Nishida, cerca de 60 pessoas participam da oficina.
“Não há limite de idade para se aprender. No curso participam desde crianças de sete anos até pessoas da terceira idade”, conta Nishida, ressaltando que no Brasil, existem apenas 45 grupos de taikô, sendo dez atuantes nas cidades paulistas.
Apresentado em diversas festas de origem nipônica, como Bon-o-Dori, o taikô tem o objetivo de divulgar a cultura japonesa. “Além de preservar nossos valores, o taikô deve simbolizar a união dos nikkeis (descendentes de japoneses) e de toda a comunidade brasileira”, diz Oda, que conversou com a reportagem do JC através de uma intérprete do clube.
“Estou tentando divulgar a arte do taikô como um instrumento que simbolize a paz entre os povos”, diz o professor japonês, explicando que são necessários três meses de treinamento para o conhecimento básico da técnica.
Folclore
Símbolo do folclore japonês, o taikô acompanhou a evolução do país do sol nascente. Quando foi criado, o taikô representava um instrumento de comunicação entre as aldeias. “O taikô funcionava como uma espécie de código morse. No início as batidas comunicavam desde o nascimento de bebês até incêndios e acidentes”, relata Nishida.
Além de ser um meio para transmitir informações, os sons produzidos pelo taikô eram destaques nas festividades em comemoração da colheita do arroz - um dos principais alimentos consumidos no Japão e que possui forte simbolismo na história do país.
“O som do taikô servia para espantar os insetos que atacavam as plantações de arroz. As batidas ficaram famosas nas comunidades e a partir daí os ritmos foram se desenvolvendo”, detalha Nishida. “O taikô era um símbolo para agradecer ao deuses pela boa colheita”, diz.
Com o passar do tempo, a arte ganhou fama, transformando-se em um dos principais símbolos musicais da cultura japonesa. “Após a guerra, a nova geração criou ritmos fortes e de impacto”, aponta Nishida. “As apresentações de taikô se tornaram adequadas para os dias de hoje”, observa.
• Serviço
Informações sobre as aulas gratuitas de taikô podem ser obtidas no Clube Cultural Nipo Brasileiro. Rua Monsenhor Claro, 9-51. Informações: (14) 223-2845.