Tribuna do Leitor

Homossexualidade


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Na última semana, no curso de Jornalismo da Unesp, tivemos uma importante palestra com um psicólogo que trata de pessoas portadoras do vírus da aids em uma ONG de Bauru. O mais esclarecedor, porém, foi saber de seu trabalho de orientação sexual para adolescentes, inclusive para os que são ou estão se descobrindo homossexuais. Que fique bem claro, como ele mesmo frisou, que seu trabalho é ajudar as pessoas a se aceitarem e se descobrirem como elas são, desmitificar os tabus que existem por trás da sexualidade; não dizer o que os adolescentes devem ou não fazer, delimitando o que é aceitável e o que não é.

O psicólogo explicou que os dogmas dos preconceitos estão caindo aos poucos e é inexorável a existência de um futuro onde a opção sexual das pessoas será aceita e respeitada. É óbvio que não podemos confundir esse importante trabalho com as ocorrências de desvios de caráter, como os casos de pedofilia, que extrapolam o universo da psicologia.

Algumas Igrejas já aceitam os homossexuais, a lei lhes garante um status civil de casamento para efeito de divisão de bens, proteção contra preconceitos, possibilidade de criar filhos, mas ainda é difícil ver casais homossexuais de mãos dadas na rua ou se beijando em lugares públicos, talvez por uma opção de preservação adotada por eles mesmos, pois sabem que a sociedade ainda é castradora. Prova disto é que num conhecido bar noturno de Bauru, que é freqüentado pelo público “alternativo” (entenda-se música, moda, comportamento e estética), houve um certo rebuliço quando alguns casais do mesmo sexo começaram a se beijar. Numa dessas ocasiões, o dono chegou num deles e disse: “Olha, eu não tenho nada contra, mas pode queimar o filme do bar”. Se fosse um homem e uma mulher, o “filme do bar” estaria protegido. (Luís Paulo C. Domingues - RG 17.115.765)

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