Regional

Tradição junina movimenta região

Rose Araujo
| Tempo de leitura: 3 min

Quentão, pipoca, danças, brasas, fogueira e muitas brincadeiras. O mês de junho na região é repleto de atrações para quem quer apreciar uma verdadeira festa junina “caipira”.

Os festejos têm atraído cada vez mais pessoas. Em média, eles recebem um público de 4 a 5 mil pessoas, mostrando que o passar dos anos não tem acabado com a tradição de um dos principais símbolos brasileiros.

De acordo com Leila Grassi, professora de Educação, Arte e História da Cultura da Universidade do Sagrado Coração (USC), a festa junina é como o povo brasileiro: uma miscegenação de culturas. “Esse evento da nossa cultura mistura costumes de outros países, tudo adaptado ao estilo do povo brasileiro”, explica.

A cidade de Bocaina (69 quilômetros a Noroeste de Bauru) é uma das que se destaca pela alegria e tradição de seu evento, a famosa festa de São João Batista. “No ano passado, tivemos quase 4 mil pessoas na festa”, salienta Edinete Aparecida Stefanuto Severino, secretária da igreja que organiza a comemoração.

A fogueira armada em frente à catedral é o chamariz para a população, que se reúne em volta das chamas para comemorar o mês do santo. “A nossa festa atrai a atenção de muita gente da região”, conta Edinete.

Na cidade de Lucianópolis (56 quilômetros a Oeste de Bauru), o homenageado do mês é São Pedro. Há um recinto próprio para o arraial e a quermesse se estende por todos os finais de semana de junho. “Como o aniversário da cidade é dia 29, nós fazemos as duas festas de uma vez”, explica a assistente social Andréia Gazarini.

Em Jaú (47 quilômetros a Leste de Bauru), o Arraial de São Pedro vai ser realizado no kartódromo municipal da cidade, no próximo dia 28. Uma quermesse com várias barracas e muita empolgação promete agitar o público.

“A entrada será franca, com distribuição de doces e pipocas para os visitantes”, diz Tatiana Lea, funcionária da Secretaria Municipal de Cultura de Jaú.

Concurso de dança

A festa em Agudos (18 quilômetros a Sudeste de Bauru) é promovida pela Igreja de Santo Antonio e acontece durante todo o mês de junho, aos finais de semana. Com barracas de comidas típicas, brincadeiras e leilões beneficentes, o evento atrai milhares de pessoas ao longo da sua realização.

O frei Mário Brunetta, pároco da catedral, diz que a festa é uma grande tradição da cidade. “Ela é realizada há 80 anos e as pessoas já ficam esperando todos os anos”, destaca.

Ele não soube dizer a quantidade aproximada de pessoas que passam pelo evento, mas afirma que os atrativos são bem variados. “Tem diversão para todas as idades”, explica o frei.

Em Dois Córregos (73 quilômetros a Leste de Bauru), a festa é “julina”, ou seja, será realizada no mês de julho. De acordo com a presidente do Conselho Municipal de Turismo do município (Comtur), Christina Cury, o calendário é adiado devido à característica do evento. “Nós realizamos um concurso de quadrilhas e contamos com a participação de várias cidades da região”, diz.

Dessa forma, se marcasse a festa para junho, os grupos de dança não poderiam participar, pois estariam se apresentando em suas respectivas cidades.

O Concurso Regional de Quadrilhas será realizado na Praça da Matriz, no Centro da cidade.

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Festa e religião

A festa junina é uma mistura de tradição popular e religiosidade. Ela nasceu antes da era cristã e tinha como objetivo comemorar o solstício de verão, que no hemisfério norte ocorre durante o mês de junho. Alguns povos realizavam rituais de invocação de fertilidade, com fartura de comida e danças.

Os festejos eram considerados pagãos, mas a Igreja Católica acabou incorporando-os às suas comemorações, já que na mesma época festejavam os dias de Santo Antonio, São Pedro e São João Batista. “Os costumes vão mudando de geração em geração, mas a essência continua e a tradição se estende de pai para filho”, explica a professora Leila Grassi.

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