Bairros

Obras modernas ganham adaptações

Thaís da Silveira
| Tempo de leitura: 3 min

Em muitos casos, andando por Bauru, é possível encontrar edificações da década de 50 que ganharam nova roupagem ou detalhes diferentes após reformas mais recentes. É o caso dos prédios do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) e do Serviço Nacional da Indústria (Senai), que revelam aspectos importantes do modernismo.

Ambos são obras projetadas na década de 50 e revelam também aspectos do “estilo internacional” da arquitetura modernista. Ou seja, outras muito semelhantes a elas foram espalhadas por cidades do Estado de São Paulo.

O Senai foi projetado pelo carioca José Roberto Goulart Tibau em 1953. Na grande área em que ele foi implantado, havia apenas uma casa da década de 40, que foi englobada pelo projeto do arquiteto.

A unidade de Bauru foi uma das primeiras escolas do sistema Senai. Um dos objetivos do projeto era oferecer flexibilidade para atender a indústria nacional através da pedagogia, atratividade para os alunos (por isso a inclusão de um pavilhão social e um parque interno), e o aspecto de abertura da escola para a cidade, que não tinha grades no início.

A fachada do edifício principal tem característica da repetição na disposição das janelas - mais uma referência da arquitetura moderna.

As salas de aula eram separadas por armários e não por paredes. A finalidade era facilitar eventuais alterações de tamanho dos espaços.

Para unir prática e teoria, paredes de vidro foram bastante utilizadas na separação entre salas de aula e oficina. A mesma técnica foi usada para integrar a própria escola à cidade, com bastante vidro na fachada principal.

Assim como no Paço Municipal de Bauru, os brises solares e a pastilha no revestimento externo dos edifícios foram bastante empregados no Senai. Havia recomendações para que o material fosse utilizado na elaboração de painéis artísticos, tornando a arquitetura mais regionalista.

As descaracterizações ficam por conta da rampa de entrada, que foi substituída por uma escadaria; da colocação de grades; da retirada das sacadas da fachada principal e da instalação de toldos vermelhos na entrada.

Sesc-Senac

O atual prédio do Senac foi feito originalmente para abrigar o Senac e o Serviço Social do Comércio (Sesc). O edifício foi projetado em 1956 por Oswaldo Corrêa Gonçalves.

O Sesc utilizava o pavimento térreo, com entrada pela rua Saint Martin, e o Senac ficava no pavimento superior, com entrada pela rua 1.º de Agosto (ainda não existia a avenida Nações Unidas). Os dois eram interligados, mas independentes. Havia área de recreio e área verde comuns.

Na entrada da rua Saint Martin, tinha uma marquise que foi retirada e já não existe hoje. No pavimento superior existia área maior que o térreo. Após reformas, o térreo foi ampliado e ganhou área semelhante à do primeiro andar.

Na entrada da rua 1.º de Agosto havia um mural feito em pastilhas que também foi destruído.

Outra forte influência de Le Corbusier e, portanto, marca da arquitetura moderna, são os pilares em “T”, com função de pilotis. Planta-livre e ventilação permanente também permitem identificar a década de 50 na obra.

“Esses prédios de 50 são marcas. Eles foram implantados de acordo com a topografia, insolação etc, mas constituem um tipo de arquitetura que poderia ser feita em qualquer outra cidade. São marcas do moderno em Bauru, mas não específicas para Bauru porque foram feitas nacionalmente”, avalia a arquiteta Artemis R. F. Ferraz.

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