Saúde

Bebês devem ter audição avaliada

Sabrina Magalhães
| Tempo de leitura: 2 min

Especialistas de várias partes do Brasil têm se mobilizado para convencer o governo a tornar a avaliação auditiva obrigatória para bebês recém-nascidos.

Segundo eles, no Brasil, a maioria dos distúrbios só é diagnosticada por volta dos 4 anos de idade, quando a criança já apresenta problemas de linguagem e relacionamento. Os profissionais querem mostrar que a triagem auditiva é tão necessária quanto o teste do pezinho.

O exame feito a partir de gotas de sangue extraídas do pé do recém-nascido é capaz de identificar doenças como a anemia falciforme, que acomete duas em cada 10 mil crianças, e o hipotireoidismo, que afeta 2,5 em cada 10 mil crianças. “A surdez acomete três de cada 1.000 bebês”, destaca a fonoaudióloga Mônica Jubran Chapchap, coordenadora do Grupo de Apoio à Triagem Auditiva Neonatal Universal (Gatanu).

O teste do pezinho tornou-se obrigatório em todo o Brasil desde julho de 1990, graças à Lei Federal 8.069. Mônica e inúmeros outros especialistas do País batalham para que medida semelhante seja tomada em relação à triagem auditiva. Eles defendem que todo recém-nascido deveria ser avaliado ainda na maternidade ou hospital.

Atualmente, existem 141 serviços de saúde realizando a triagem neonatal no Brasil, distribuídos em 19 Estados, segundo Mônica.

“Se o distúrbio for tratado antes dos seis meses de vida, a criança vai ter um desenvolvimento praticamente normal. Mas, no Brasil, a identificação do problema é feita por volta do terceiro ou quarto ano de idade. E isso quando a perda auditiva é bilateral (nos dois ouvidos), porque quando é unilateral (de um lado só), a deficiência pode passar totalmente despercebida”, alerta Mônica.

Segundo ela, a criança que apresenta distúrbios de audição pode ter sérios problemas em seu desenvolvimento. “Vai depender do grau da deficiência. Mas sem ouvir, ela vai ter atraso na aquisição da linguagem, dificuldades no processo educacional e convívio social e conseqüentes alterações emocionais”, destaca.

A fonoaudióloga ressalta que o ideal é identificar a deficiência logo nos primeiros meses de vida e iniciar o tratamento. Mas salienta que os pais deve estar sempre atentos, pois a perda auditiva pode aparecer durante o desenvolvimento.

“Além da triagem neonatal, recomenda-se uma segunda avaliação na idade pré-escolar. E sempre que houver uma queixa da criança ou sempre que se notar algum sinal indicativo de distúrbio”, encerra.

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