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A cara de Bauru


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Se alguém duvidasse da exígua distância que separa o céu do inferno, certamente todas as dúvidas puderam ser tiradas quanto a isso ao se analisar, por exemplo, o panorama desta última semana de maio em nossa cidade, após o Fórum São Paulo: Governo Presente ter acabado de deixar um saldo extraordinariamente positivo. Em contrapartida, porém, a Câmara de Vereadores via encerrar o ciclo de comissões de inquérito com a poda do quarto mandato, ao mesmo tempo que se preparava para começar a fazer o mesmo com o chefe do Executivo, após ouvir o seu depoimento com a nítida impressão de ter executado um ato meramente formal, pois a sua sentença já estaria selada, a partir de todo peso do relatório que estaria vindo por aí.

E para completar esse período de altos e baixos no panorama político administrativo da cidade, eis que o Executivo anuncia a retomada de mais de cem cargos de confiança, como forma de iniciar um processo de composição política que o permita chegar mais gloriosamente ao final do seu mandato, a partir de uma possível escapada das malhas dos vereadores.

E tudo isso – é bom que se relembre – sob os recentes efeitos da saída condicional da cadeia do ex-chefe do Executivo, com todos os ingredientes de vítima e de mártir que fez questão de colocar em todos os seus pronunciamentos seguintes, como se da memória de toda uma comunidade pudesse ter sido apagado aquele clima de terror que a cidade viveu nos últimos momentos do seu mandato.

Cá entre nós, é muito para uma cidade só, vocês não acham? O que será que Bauru fez lá atrás para ter que amargar a repetição constante de momentos tão desastrosos para o seu desenvolvimento, para o seu crescimento, para o exercício da sua vocação como polo regional da mais alta relevância neste País? Será que nossos antepassados atiraram pedras na cruz, mataram tantos passarinhos quando eram pequenos, que agora nós temos que pagar por isso?

Essa coisa de cassação de prefeitos e de vereadores, essa praga chamada corrupção, essa orgia de desmandos com o dinheiro público, esse clima de antagonismo permanente, essa apologia da truculência, das ameaças, do terror, não combinam com a índole da nossa gente. O que combina com Bauru é ver, por exemplo, um governo do Estado se instalar aqui por um dia e deixar tanta coisa boa, como a anunciada duplicação da avenida Luiz Edmundo Coube, a doação de um helicóptero para ajudar nossa Polícia a prender bandidos, a implementação de um sistema on-line no Copom, permitindo o monitoramento real de todas as ocorrências policiais, a certeza de que o Hospital Estadual terá cem por cento de sua estrutura funcionando até dezembro, a garantia de que nosso novo Aeroporto terá suas obras retomadas e concluídas, a conclusão da duplicação da rodovia Bauru-Marília. São coisas assim que Bauru quer discutir, quer ver acontecer, quer que ocupem os noticiários dos órgãos de comunicação.

O que Bauru quer, precisa e merece é ver toda essa gente que ocupa cargos públicos, que tem uma procuração assinada em branco por seus eleitores, fazer exatamente isso para o qual foi eleita: um decidido, determinado e desinteressado trabalho pela cidade, não importando a qual partido pertençam, qual religião professam, a que classe social pertençam, sem nenhum outro tipo de interesse que não seja o de proporcionar o bem comum que cada bauruense e a cidade como um todo tanto merecem. O que se identifica com a índole da gente de Bauru, sem dúvida, é a forma abnegada como, por exemplo, tantas pessoas se entregam às causas dos outros, através dos trabalhos anônimos e gratuitos que desenvolvem a favor de tantas entidades assistenciais que atuam na cidade. Por que não seguir esses magníficos exemplos dessa gente toda?

O que tem tudo a ver com o perfil da nossa gente é se ver representada por gente digna, honrada, trabalhadora, ética, honesta. Gente que sabe servir aos interesses da comunidade, e não se servir das benesses dos cargos que eventualmente possam ocupar, por onde quer que se estendam as teias das suas armações . Não há dúvida que essa é a cara com a qual os bauruenses mais se identificam, pois, certamente essa é a cara de Bauru. (O autor, Flávio Antonio de Angelis, é consultor de empresas)

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