A diretoria regional do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp) cobra o entendimento entre o Executivo e o Legislativo para que Bauru sobreviva ao período de crise. O Ciesp defende um “pacto pela governabilidade”, mas deixa claro que não se trata de apoio direto ao prefeito Nilson Costa (PTB), e sim uma ação que preserve a cidade do retrocesso político.
Os diretores regionais do Ciesp-Bauru, representados por Ricardo Coube, José Luiz Miranda Simonelli e Luís Henrique Cardoso Patrício, se posicionaram ontem favoráveis ao estabelecimento de um entendimento que leve o governo atual até o final do mandato, no ano que vem, para que os prejuízos à sociedade não sejam piores que os efeitos já produzidos pela crise em curso.
Para Ricardo Coube, Nilson Costa precisa ter claro que o pacto não é um apoio ao seu governo. “Estamos defendendo a cidade e o prefeito é a alternativa menos traumática neste instante de muita instabilidade. Mas nós devemos retroceder há pouco mais de quatro anos para lembrar que o prefeito não cumpriu seu papel de fazer um governo de coalizão que permitisse a Bauru afugentar de vez o perigo, o terror”, enfatiza.
Coube prega o pacto de governabilidade. “Estamos defendendo que o governo chamado Bauru seja priorizado. E para isso a primeira premissa é a necessidade de entendimento do Executivo com a Câmara sem prejuízo ao julgamento jurídico de todas as denúncias de irregularidades levantadas. A sociedade como um todo e o setor produtivo, comercial, não agüentam mais esse ciclo de conflito. Estamos cansados”, diz.
O segundo passo, segundo o empresário, é que o núcleo Executivo e Legislativo promovam um amplo entendimento com a sociedade. “Primeiro, o Executivo e o Legislativo devem quebrar esse ciclo de conflito em nome da cidade. Depois, os dois poderes devem convocar a indústria, o comércio, o serviço, a agricultura, as instituições sérias, os sindicatos e demais segmentos para que esses grupos levem o governo até o fim desse período de transição pelos próximos 15 meses”, defende.
Governo da sociedade
Ricardo Coube vai mais além. Acha que o momento de crise chegou a tal ponto que o prefeito deve abrir mão de seu próprio poder individual para, junto com a Câmara e os segmentos sociais, montar um governo de transição formado por secretários indicados pelos diferentes representantes da cidade.
“Este governo tinha seis anos e meio para realizar essa tarefa e não o fez. Agora chega em sua reta final em crise exatamente no período em que deveria ser a fase mais produtiva, de colher resultados. O Nilson não fez a coalizão e decepcionou neste ponto e agora deve ser humilde o suficiente para que a cidade não corra o risco de retornar ao passado recente que ele conhece muito bem”, enfatiza o diretor.
Para José Luiz Simonelli, não há outro espaço diante das fragilidades do governo atual e das pressões de “grupos oportunistas”. “É visível a movimentação de grupos políticos que tentam se apropriar dessa fragilidade para tentar reassumir o governo que foi baseado na experiência do terror. Esses grupos não têm compromisso com a cidade e os vereadores têm a responsabilidade de impedir que os oportunistas tomem a frente”, comenta.
Para Simonelli, "infelizmente, a escolha é pela situação menos pior”. “A única saída a curto prazo e de transição está nas mãos dos vereadores, que devem medir as conseqüências desastrosas para a cidade. Uma nova troca de poder nesta reta final de governo precisa ser cuidadosamente avaliada. Não é a escolha pelo Nilson, é pela cidade. Precisamos ter a coragem de analisar esse quadro”, incita.
Os diretores do Ciesp ponderam que respeitam o papel de fiscalização dos vereadores. “Mas entendemos que a Câmara cumpriu esse ciclo com a CEI. Não fazemos pacto com o que for irregular e o vereador está correto em discutir, levantar. Mas o perigo agora é pela governabilidade. O prefeito deve abrir, escancarar o governo e priorizar Bauru”, menciona.
A posição levantada pelo Ciesp depende do prefeito e da Câmara, na avaliação dos seus representantes. “É fácil elencar as falhas cometidas pelo prefeito, que não desempenhou seu papel de formar uma rede de proteção política para a cidade. E a responsabilidade do prefeito exige que ele deixe os correligionários de lado, os falsos amigos, e quase que transfira o governo de transição para a sociedade”, amplia Ricardo.
Luís Henrique Cardoso Patrício, também diretor regional da entidade, endossa o raciocínio dos colegas e convoca a Câmara para exercer esse papel. “A vaidade política, neste momento, não vai levar a lugar algum a não ser permitir que a cidade corra o risco de voltar ao período recente de insegurança. Estamos repetindo que o pacto não é pelo Nilson, mas pela governabilidade, pela cidade”, opina.
Para Cardoso, a alternativa é a recomposição. “Compor com um novo time de pessoas escolhidas e discutidas entre os segmentos que representam e defendem esta cidade, formando um grupo que vai ter a missão de levar o governo de transição até o final do próximo ano. É uma coordenação que preserva a cidade nesta fase de turbulência. E essa escolha passa pela votação do relatório final da CEI. O Nilson não pode negar essa responsabilidade à cidade e a Câmara não pode abrir mão de seu importante papel neste momento. E esse pacto não se faz com duas ou três mudanças no governo. Não há tempo a perder e esse conflito cansou”, finaliza.