Tribuna do Leitor

A vitória da miséria


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“Pobre gosta de luxo, quem gosta de miséria é intelectual”. Esta frase do carnavalesco Joãozinho Trinta, dita anos atrás, quando o mesmo ainda trabalhava para a Escola de Samba Beija Flor, traduzia perfeitamente o espírito do carnaval. Não importava se os membros da escola fossem favelados, desdentados, descamisados, desempregados, porque por pouco mais de uma hora, seriam nobres, reis, rainhas, aplaudidos por milhares de pessoas, e ainda filmados e apresentados a outros milhões mundo afora. A doutrina-joanina-carnavalesca sempre predominou nos desfiles do Rio e de qualquer outro local, porém neste ano a Escola de Nilópolis resolveu inverter o enunciado do mestre e sagrou-se campeã do carnaval carioca. Será que todos nós nos intelectualizamos?

A chamada intelectualidade brasileira, toda ela firmemente instalada nas universidades públicas, especializou-se em duas atividades: reclamar dos salários e preparar teses acadêmicas que servirão de base para governos populistas e, conseqüentemente, para a projeção de seus autores, catapultando-os para a vida pública. Os bolsões de pobreza são o laboratório desse pessoal, e caso alguém desenvolva uma tese realmente eficaz, estará destruindo esse “rico material de estudo”, e daí, não haver interesse real na solução do problema.

O que vimos no último carnaval é a confirmação de que o inconsciente coletivo, está dominado pela certeza de que somos um País de miseráveis, em que milhões de famílias necessitam de ajuda governamental de cerca de US$ 16 mensais para sobreviver. Com essa mentalidade, nunca conseguiremos efetivamente resolver nossas mazelas! É necessário recuperar a auto-estima do brasileiro, dando-lhe condições dignas de ganho, para somente assim podermos assistir não a vitória, mas sim a derrota da miséria. (Antonio Vitorino Ferreira - RG 9.817.501)

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