O piloto bauruense Aírton Daré, de 25 anos, já passou por duas cirurgias de redução das fraturas do úmero e do fêmur direitos, causadas pelo acidente que ele sofreu anteontem à noite, no circuito oval do Texas, palco da quinta etapa da Indy Racing League - IRL.
Henry Bock, diretor de serviços médicos da IRL, afirmou que o estado geral de Daré é bom e que o piloto sempre esteve consciente, desde sua entrada no Hospital Park Memorial de Dallas - Oeste dos EUA. Daré foi levado do circuito para o hospital de helicóptero, anteontem à noite. E ontem à noite passaria por mais uma cirurgia, considerada leve.
O acidente aconteceu quando o jovem piloto percorria a sétima volta da primeira sessão de treinos livres. Segundo A.J. Foyt, proprietário da equipe de Daré, o americano Jaques Lazier - que perdeu seu lugar na equipe Menard para o brasiliense Victor Meira - correrá com o carro G-Force/Toyota que o brasileiro corria no momento do acidente.
Ontem à tarde, por telefone, Daré afirmou que alguma peça se quebrou quando ele percorria a curva quatro, jogando seu carro contra o muro em alta velocidade.
“Ou foi um dos braços que ligam a caixa de direção às rodas ou a própria caixa, que se rompeu ou quebrou. Não sei qual, mas estou certo de que uma das peças que faz as rodas obedecerem ao volante deixou de funcionar”, explicou.
“O carro estava bom, fácil de guiar. Eu já tinha aquecido os pneus e estava começando a andar mais rápido quando entrei na curva quatro e, de repente, o carro parou de obedecer aos meus comandos. Não houve nenhum aviso ou sinal de que algo errado estava acontecendo”, completou Daré, que estava guiando o mesmo G-Force com que sofreu um acidente duas semanas atrás, durante as 500 Milhas de Indianápolis.
Além das fraturas do úmero, que se dividiu em duas partes, e no fêmur, Daré também teve dois ossos da mão direita quebrados e fraturas ainda não dimensionadas no pé direito. “Estão falando no tornozelo, mas acham que pode haver mais coisas”, lamentou o piloto, que amanhã vai ser transferido para Indianápolis para ser examinado pela equipe do dr. Terry Trammel, o melhor cirurgião de pés dos Estados Unidos.
A previsão de recuperação total de Aírton Daré, feita pelos médicos do Parkland Medical Hospital de Dallas é de 180 dias, mas em três meses ele já deverá estar dando os primeiros passos e iniciando a fase final da fisioterapia. Não está afastada a hipótese de que, após estes três meses iniciais, ele seja liberado para voltar a disputar corridas automobilísticas. O prazo para a retirada dos pinos, que devem ser colocados no braço, na perna e eventualmente no pé, está estimado em 18 meses.
De Volta
Aírton Daré esteve afastado das corridas da IRL desde o final do campeonato de 2002 até a quarta etapa deste ano, as 500 Milhas de Indianápolis, porque sua equipe, a A.J. Foyt Racing, enfrentava dificuldades financeiras. Reintegrado por ocasião da Indy-500, o piloto teve boa atuação até a 122ª volta, quando foi obrigado a sair da trilha de borracha depositada no asfalto para dar passagem aos líderes da prova e bateu no muro ao passar na parte suja da pista, mas não se lesionou.
Logo depois das 500 Milhas, Daré marcou presença no restante dos GPs deste ano. Retornou ao Brasil dia 27 de maio para tirar uma semana de férias em Bauru. Retornando aos EUA na última terça-feira para participar da corrida no Texas, Daré demonstrava confiança em bom desempenho, principalmente por ter obtido a terceira colocação nessa pista, no ano passado.