Formandos dos cursos de arquitetura, jornalismo, psicologia e matemática da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Bauru que organizaram o boicote ao Exame Nacional de Cursos, o Provão, realizado ontem, acreditam que a adesão ao movimento foi alta em Bauru. Porém, muitos estudantes afirmaram ao JC que não iriam entregar a prova em branco. Ao contrário, que iriam fazer o máximo para obter a melhor nota.
Até o fechamento desta edição, o Instituto Nacional de Pesquisas Educacionais (Inep) não tinha divulgado o índice de adesão ao boicote. Os organizadores do movimento chegaram a estimar que cerca de 90% dos 2.800 alunos de 36 diferentes cursos inscritos para fazer o teste em Bauru entregaram a prova em branco.
Apesar do movimento pró-boicote, a prova, que teve início às 13h e terminou às 17h, transcorreu sem incidentes. Em Bauru foi realizada no Colégio Preve Objetivo e nas escolas estaduais Rodrigues de Abreu, Christino Cabral, José Aparecido Guedes de Azevedo e Ernesto Monte. Os formandos dos cursos avaliados que não compareceram aos locais da prova ficam impedidos de obter o diploma, já que essa é uma condição obrigatória.
O boicote, no entanto, é caracterizado pela entrega da prova em branco, após o tempo mínimo de 30 minutos. Dentre os motivos apontados no manifesto de boicote, os estudantes alegam que há um incentivo ao aparecimento dos cursinhos pré-Provão. Eles também pedem a implantação imediata de uma avaliação processual para os cursos superiores de psicologia em substituição ao atual.
Para os aderentes do boicote, se a proposta do Ministério da Educação é avaliar a qualidade da instituição, não há motivo para premiar o desempenho individual. Outro questionamento dos estudantes de psicologia é sobre o que está sendo valorizado: o melhor aluno ou a melhor instituição?
Na opinião do estudante de história da Universidade do Sagrado Coração (USC), Thiago Moratelli, o objetivo do Provão é destruir a universidade pública e, ao mesmo tempo, dar condições aos donos das universidades particulares lucrarem mais. “O Provão começou com o governo Fernando Henrique Cardoso, que destruiu as universidades públicas e favoreceu os donos de universidades particulares”, critica.
Ele reclama que não há lei que impeça aumento das mensalidades das universidades particulares sem que haja uma contrapartida. “Defendemos uma avaliação que procure saber o quanto a universidade está lucrando. Onde está o dinheiro? E porque ela não investe na melhoria da estruturação do curso e outras coisas”, explica.
Pela prova
Embora os organizadores do boicote estivessem otimistas com o número de entrega de provas em branco, muitos estudantes pretendiam responder todas as perguntas. Priscila de Almeida Tarrachunas, por exemplo, estava ansiosa. “Sou aluna de direito da Instituição Toledo de Ensino. O nosso curso obteve nota C no ano passado. Vou dar o melhor de mim para tentar melhorar essa nota”, disse.
A quintanista acha que a nota é mérito dos alunos e por isso não aderiu ao movimento do boicote. “Eu estudei e acredito que se a faculdade receber uma nota boa, será bom para o nosso currículo”, opina.
Moradora da cidade de Jaú, ela contou que não foi embora para sua casa nesse final de semana. “Fiquei para estudar. Essa mala está cheia de livros. A avaliação de direito permite a consulta”, afirma.
O estudante de direito da Universidade Paulista (Unip) Carlos Alberto Pereira confessa que mudou de idéia na última hora. “Eu pensei em boicotar o exame porque a avaliação é muito relativa. Mas mudei de idéia na última hora. Quero testar os meus conhecimentos”, disse antes de entrar para a prova.
Serviço
O gabarito das questões de múltipla escolha está na página do Inep: www.inep.gov.br. A divulgação dos padrões de repostas das questões discursivas está prevista para o fim de julho.