As famílias de sem-terra acampadas nas margens da estrada vicinal que liga o Jardim Chapadão ao Esquadrão da Vida afirmam que estão correndo risco de vida. O coordenador do grupo Terra Nossa, Klinger Bueno, promete tirar do local as famílias – 230, segundo ele e 130, de acordo com a Polícia Militar - que estão instaladas sob três fios de transmissão de energia elétrica. “Cada um dos fios tem 69 mil volts”, diz Bueno.
Ele reclama que entrou em contato com a Defesa Civil e que nada foi feito. “Se um desses fios cair sobre os barracos, todos os acampados morrerão eletrocutados”, sentencia.
Na opinião de Bueno, o risco é grande em função do trânsito de caminhões pesados na estrada. “Os caminhões com 60 toneladas de eucaliptos trafegam por aqui. Se um dele bater em um dos postes, todos estarão mortos”, afirma. O grupo de sem-terra está acampado no local desde quarta-feira, quando saíram do Horto Floestal de Bauru para cumprir liminar de reintegração de posse.
Bueno cobra uma providência das autoridades. “São cerca de 160 crianças e 230 famílias. O número de barracas é menor que 230 porque há algumas com até cinco famílias porque falta lonas para todas”, conta.
A chuva é outro fator que preocupa os sem-terra. “As barracas não têm nenhum tipo de segurança. Se a chuva for intensa vai alagar tudo e molhar os colchões e roupas. Não sabemos o que vamos fazer”, disse.
O grupo já pensa em ocupar outra área, de acordo com Bueno. O coordenador da Defesa Civil de Bauru, Álvaro de Brito, foi procurado na tarde de ontem para comentar sobre a preocupação dos sem-terra, mas não foi localizado.
Bueno diz que os acampados não se conformam com a liminar para reintegração de posse da área do horto, ocupada pelos sem-terra até a semana passada. Ele conta que os sem-terra estão sentindo-se ameaçados mesmo na beira da estrada. “Ouvimos disparos de arma de fogo”, denuncia.