O telefone celular salvou uma vítima da violência urbana ontem em Bauru. Lúcia Mieko Tominaga Mizumo, trancada no porta-malas do próprio carro por um ladrão, conseguiu avisar sua família que estava sendo seqüestrada. O familiar acionou a Polícia Militar (PM), que passou a perseguir o carro. Os policiais trocaram tiros com Márcio Capelin dos Santos, 27 anos, que dirigia o carro. O rapaz foi socorrido, mas morreu.
O seqüestro-relâmpago teve início por volta das 10h, no estacionamento de um supermercado na Vila Souto. Lúcia colocava suas compras no porta-malas do seu carro, a Parati placas CFP 7363, de Bauru, quando foi surpreendida por um ladrão, segundo relatou à Polícia Militar.
Ele abordou a mulher pelas costas, encostando o cano de um revólver próximo de sua cintura e obrigando-a a entrar no veículo, no banco do passageiro. Após rodar por alguns minutos pela Vila Falcão, o ladrão obrigou Lúcia a entregar o cartão bancário e sua senha, para sacar dinheiro.
Em seguida, o ladrão parou o carro em um local sem muito trânsito e obrigou a vítima a entrar no porta-malas do carro, sem checar se ela estava com celular. Com o telefone, mesmo trancada no porta-malas, a vítima entrou em contato com a família, contou que estava sendo seqüestrada e pediu socorro
O familiar de Lúcia que recebeu o telefonema comunicou a PM, através do telefone 190, do seqüestro. Um outro parente, também contatado pela vítima através de seu celular, igualmente entrou em contato com a polícia.
Porém, as conversas da vítima ao telefone pedindo socorro despertaram a atenção do ladrão, que estaria dirigindo-se para a agência do Banco do Brasil da rua 1.º de Agosto, para sacar dinheiro. Ainda na Vila Giunta, o rapaz parou o carro e após tomar o celular de Lúcia, a abandonou.
Como a PM já tinha sido comunicada do seqüestro, várias viaturas estavam em busca da Parati. Pouco depois, Lúcia telefonou para a família e avisou que havia sido liberada pelo ladrão. Quase que ao mesmo tempo, uma viatura da PM cruzou com a Parati na rua São Sebastião. Os policiais passaram, então, a perseguir o carro que estava com dois ocupantes.
Como Lúcia garantiu ter sido seqüestrada por somente um rapaz, a polícia suspeita que o outro ocupante da Parati tenha sido pego posteriormente à liberação da mulher.
A perseguição policial prosseguiu até a Parati atolar na areia de uma estrada vicinal que liga a rodovia Bauru/Marília à fazenda da Sociedade Beneficente Cristã, em Val de Palmas.
O funileiro Márcio Capelin dos Santos desceu da Parati e passou a atirar contra os policiais militares, segundo o major Pedro Batista Lamoso, coordenador operacional do 4.º Batalhão de Polícia Militar.
Um dos policiais, que teve o nome preservado, fez vários disparos revidando os tiros. Três deles atingiram Santos no tórax. O rapaz foi socorrido ao Pronto-Socorro do Jardim Bela Vista, porém não suportou os ferimentos e morreu.
O segundo ocupante da Parati embrenhou-se no matagal próximo do Instituto Penal Agrícola (IPA) e até o final da tarde de ontem não havia sido localizado pelos policiais que vasculharam a área com a ajuda de cães do Canil da PM.
O policial que atirou contra Santos ficou em estado de choque e teve que passar por atendimento médico. Policiais civis da Delegacia de Investigações Gerais (DIG) e policiais rodoviários ajudaram na busca dos acusados.
____________________
2º caso
Há pouco mais de um mês, um telefone celular também ajudou as vítimas de um assalto a uma residência no Jardim América. As vítimas foram trancadas pelos ladrões em um dos cômodos da casa.
Uma das vítimas estava com o telefone celular, com o qual conseguiu comunicar um parente sobre o que estava ocorrendo. A Polícia Militar foi avisada e passou a perseguir o ladrão, que refugiou-se na favela do Parque das Nações. O acusado foi morto pelos policiais e parte dos produtos roubados foi recuperada.