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Sensibilidade à prova


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Decorridos seis dias da publicação, nossos leitores ainda têm encrustada nas suas retinas a encantadora foto inserida pelo JC na primeira página da edição de sábado passado, retratando inteiramente o milagre da natureza que, antecipando-se à primavera, que só vai começar em setembro, fez nascer em praça do Jardim Marambá aquele sugestivo mundaréu de poéticas flores de ipê. O pessoal da fotografia do Jornal, comandado pelo Quioshi, descobriu o grande espetáculo, colheu o flagrante e nossos colegas Giselle e Jabbour, encantados com o colorido do manancial, não tituberaram nadinha, anunciando: “Vamos levar aos leitores de todos os pontos da cidade, já e já, essas sublimidades de dona natureza”... E se assim disseram, assim fizeram. O instantâneo foi parar imediatamente na página principal da edição, maravilhando o visual dos assinantes e, também, dos que o divisaram nas bancas de jornais. Uma graciosa menina, loirinha como ela só, que passou numa delas, mimoseou o exemplar que via com um amoroso beijo, revelando sua admiração. Telefonemas à redação, então, foram realmente muitos, cumprimentando-a efusivamente pela iniciativa. “É bom mesmo que o Jornal aproveite esses interessantes acontecimentos para despertar mais a sensibilidade das pessoas” - afirmaram muitos dos contatos telefônicos, empolgados com o mar de flores rubro-violáceas livremente expostas.

Concordamos com o entusiasmo dos leitores e aproveitamos hoje para tecer estes merecidos elogios à mãe natureza, que, reconheça-se, é capaz de tumultuar as estações quando acha que deve fazê-lo, ainda que seja fora de hora, como no caso em foco. Atrevimento e coragem nâo lhe faltam para isso e outras coisas e, se for necessário chutar a temperatura ela também o fará, alojando a “bola” implacavelmente nas redes do escondido “goleiro”.

Face a esta antecipação primaveril, tudo está a indicar que teremos este ano, entre setembro e dezembro, uma tempestade de flores desabando sobre jardins e canteiros públicos e residenciais. O ipezinho, que um floricultor amigo plantou, ano passado, em frente ao nosso “chatô”, homenageando à nossa velha amizade com as vegetações, está se preparando para recepcionar a estação e para aplaudir a sua divulgação, achando, como nós, que a mídia não pode perder oportunidades para reproduzir espetáculos como o de sábado passado, pois, num ciclo terrível como o atual, em que a violência urbana entristece a sociedade consumindo espaços extraordinários de jornais com assassinatos, suicídios e outros deslizes, cabe à imprensa amenizar os corações com muitas imagens de flores e frutos... É a nossa opinião. (O autor, N. Serra, é o jornalista responsável do JC e delegado regional da Associação Paulista de Imprensa e da Ordem dos Velhos Jornalistas do Estado)

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