Itapuí - O empresário Pedro Poli, proprietário da Polifrigor Indústria e Comércio de Alimentos, produtora dos frangos Itabom, contestou ontem o laudo expedido pelo Laboratório Regional de Apoio Animal (Lara) de Campinas. Na opinião dele, o laudo só seria confiável se as análises tivessem sido feitas em pelo menos dez frangos e não apenas em dois, como foi feito pelo laboratório.
De acordo com matéria veiculada ontem pelo Jornal da Cidade, as análises feitas em frangos da empresa e também da Avícola Santa Cecília, ambas de Itapuí (44 quilômetros a Nordeste de Bauru), constataram que os produtos estavam com uma quantidade de água acima do permitido pelo Serviço de Inspeção Federal (SIF), órgão ligado ao Ministério da Agricultura e Abastecimento.
“Para uma avaliação mais idônea, mais correta, é preciso analisar de dez a 15 frangos para uma média”, disse o empresário. “Dois frangos não servem como base para cálculo. Não se pode questionar a qualidade do frango Itabom com base em apenas duas unidades. Não concordamos com a forma como foi feita (a análise)”, protestou.
De acordo com Poli, a empresa faz controle de qualidade há 15 anos e, segundo ele, nunca foi constatado nenhum problema com seus produtos. O empresário informou que um dos laboratórios responsáveis pelo controle de qualidade dos frangos Itabom é o mesmo que emitiu o laudo para a Delegacia Seccional de Polícia de Jaú.
“É estranho que apenas nessas duas unidades tenha sido constatado problemas”, observou. Poli argumentou que os resultados podem variar dependendo da forma como foi coletada as amostras. “Em que temperatura foi colhido (o frango)? Em que condições? A empresa participou da coleta?”, questionou o empresário.
Segundo Pedro Poli, a lei que determina os níveis máximos de água no produto é da “época que se matava e depenava o frango com a mão”. De acordo com ele, a legislação nunca foi atualizada.
Pelas normas do SIF, o máximo permitido para frangos congelados é de 6% de água. Para os frangos resfriados, o limite é de 8%. De acordo com laudo do laboratório Lara, as amostras enviadas a Campinas estavam com água bem acima do permitido.
O laudo apontou que os dois frangos da Polifrigor apresentavam variação de 17,2% e 18,3%. Já os frangos da Avícola Santa Cecília exibiram índices de 15,8% e 19,5% de água. “Durante o processo de produção pode haver variações (nos níveis de água), mas não um absurdo como esse”, declarou Poli.
Ele explicou que para combater a salmonela é preciso trabalhar com um volume muito grande de água. Por isso, absorção do líquido é inevitável. “Trata-se de um processo industrial. Isso não é feito para lesar ninguém.”
Salmonela é um dos microrganismos mais freqüentemente envolvidos em casos e surtos de enfermidades de origem alimentar. “Por que até agora ninguém questionou a limpeza do frango, os níveis de samonela e coliformes fecais, que é o que realmente afeta o consumidor”, questionou o empresário.
Poli disse não temer uma queda nas vendas da empresa por conta das denúncias de excesso de água nos frangos. Segundo ele, a empresa não está conseguindo produzir o suficiente para atender a todos os pedidos. “Isso não estaria acontecendo se meu produto fosse de péssima qualidade”, alegou.
Ontem, a reportagem entrou novamente em contato com a Avícola Santa Cecília, mas, segundo funcionários, os responsáveis pela empresa estavam viajando e não havia como falar com eles.
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Contraprova
O delegado Benedito Antônio Valencise, da Delegacia Seccional de Jaú (47 quilômetros a Leste de Bauru), disse ontem que a análise feita pelo laboratório Lara, de Campinas, não teria sido prejudicada pelo número de amostras utilizado.
“Dois frangos são suficiente. Se houvesse um controle de qualidade correto, não teria água em excesso em nenhum deles”, declarou.
De acordo com o delegado, existem outros dois frangos da mesma empresa para ser usado como contraprova. “Tenho certeza que os resultados serão os mesmos”, afirmou Valencise.
Ele recebeu o laudo anteontem e de imediato inquérito policial para apurar eventual crime contra o consumidor. Segundo o delegado cópia do laudo seria remetida ao Ministério Público (MP) para que outras providências sejam tomadas junto aos órgãos federais.
Ele disse que o trabalho de investigação vai continuar e outras empresas também serão fiscalizadas.