Polícia

Fórum cobra mudanças estruturais

Nélson Gonçalves
| Tempo de leitura: 4 min

O secretário-adjunto de Segurança Pública do Estado de São Paulo, Marcelo Martins de Oliveira, recebeu em mãos, ontem à tarde em Bauru, a carta com as propostas para o setor do Fórum “Bauru contra a violência”. O evento, organizado pelo Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp) e a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), subsecção Bauru, foi encerrado ontem à tarde.

A carta de Bauru traz as principais propostas obtidas dos debates realizados durante esta semana, com painéis que contaram com a participação da comunidade e de representantes de organismos como a Polícia Civil, Militar, Judiciário e outros. O documento apresenta propostas de mudanças estruturais para o combate à violência e a melhoria das condições de segurança pública.

O secretário-adjunto de Segurança Pública, Marcelo Martins de Oliveira, foi designado para receber a carta de Bauru no lugar do secretário da pasta, Saulo de Castro Abreu Filho. Oliveira realizou a palestra de encerramento do fórum. Estiveram presentes no auditório da OAB, entre autoridades civis e militares, representantes de todas as instituições envolvidas. O prefeito Nilson Costa (PTB) não compareceu.

Ricardo Coube explicou os objetivos do encontro. “A preocupação com a segurança e a violência é coletiva. Discutimos aqui, os principais aspectos desse tema intrigante para a sociedade e conhecemos também as experiências que já estão em andamento. Temos em mãos um documento com todas as propostas e discussões que agora vão para a Secretaria de Segurança Pública. Propomos a discussão dessas propostas com o governo e vamos realizar reuniões periódicas para as avaliações dessas propostas”, comenta.

O secretário-adjunto prometeu discutir as questões inseridas na carta de Bauru com o titular, Saulo de Castro. “Em no máximo 30 dias vou fornecer uma resposta formal para as questões levantadas aqui neste documento. A Secretaria de Segurança tem amplo interesse em ouvir a sociedade através de eventos como esse”, menciona.

O documento reflete a necessidade de investimento em estrutura corporativa e de política de segurança pública. Além da já conhecida carência de equipamentos materiais e da necessidade de ampliação do quadro de profissionais, os agentes da segurança pública apontam para modificações em planos de ação.

Marcelo Martins de Oliveira discorreu sobre segurança e violência por mais de uma hora. Ele iniciou apontando que o tema é uma preocupação e desafio mundial. O secretário-adjunto abordou diferentes vertentes da questão. “Uma delas é a da família, da sociedade, que precisa desempenhar seu papel. Me choca quando vejo um cidadão repetir que está atento ao que acontece com o filho do vizinho, mas que não observa a conduta de seu filho na rua e na sua própria casa”, refletiu.

O jovem

Para Oliveira, a sociedade cobra injustamente do Poder Público que resolva em dois anos o processo de delinqüência vivido por jovens que chegam à Fundação Estadual para o Bem-Estar do Menor (Febem) quando este sofreu a exclusão social por 15 anos de sua infância. “A Febem é uma parte da questão, mas o jovem sem saúde, educação e cultura não tem outra alternativa. Ele entra em círculo vicioso e acaba achando que é normal agredir os pais, roubar. Não há polícia que resolva essa questão sozinha”, alerta.

As ocorrências na adolescência começa sempre pelo crime contra o patrimônio, lembra o adjunto. “Para manter seu vício ele age. Os pais que nunca falaram ‘não’ para os filhos por 15 anos não devia se espantar com os problemas depois dos 16 anos”, adverte.

Ele conta que o Estado está atuando no investimento em policiais, construção de presídios, aparelhamento das corporações e integração das polícias Civil e Militar e no desenvolvimento de serviços de inteligência. “Temos 118 mil presos no Estado e este governo construiu mais que o dobro de novas vagas para presos do que todos os governos do século passado. Só que esses presos vão cumprir suas penas e retornar para a sociedade e isso também preocupa”, lembra.

Imprensa

Marcelo Oliveira também chama a atenção para o papel da imprensa nesse processo. “É perigosa essa tendência de cobertura de parcela da imprensa que glamouriza o bandido, o corrupto. A imprensa deve se atentar para os efeitos negativos desse papel. Qual o papel social de se mostrar bandido com carro importado sendo respeitado na favela. A imprensa deve ser chamada também a repetir que o crime não compensa, que esse pessoal é preso e tem privação da liberdade e que a cadeia não é boa para ninguém”, cita.

O presidente da OAB-Bauru, Edson Reis, encerrou o evento. “Me inquieta a comparação dos índices de violência em Bauru com o de outras cidades como se aqui não houvessem problemas. Temos problemas sim e não podemos considerar que tudo está resolvido só porque as estatísticas comparativas são razoáveis. Precisamos discutir nossos problemas e as dificuldades físicas e estruturais enfrentadas por quem atua na área de segurança”, diz.

O deputado estadual Pedro Tobias (PSDB) reforçou que o tema é uma responsabilidade do governo, das polícias e da sociedade. “O governo está atuando e investindo e como nunca na área. Mas ainda há muito a ser feito. O Centro de Detenção Provisória (CDP) recém-inaugurado está desafogando as cadeias públicas de toda a região”, finaliza.

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