Um princípio de rebelião movimentou, na tarde de ontem, a Fundação para o Bem-Estar do Menor (Febem) de Bauru. Os menores fizeram três reféns e feriram quatro funcionários, um deles na cabeça. O tumulto foi controlado por volta das 17h.
De acordo com o major Pedro Batista Lamoso, coordenador operacional do 4.º Batalhão da Polícia Militar do Interior (BPMI), a confusão começou depois que o interno R.P.C., 18 anos, rebelou-se contra a sua transferência para a unidade da Febem de Lins. “Por determinação da Justiça, ele deveria ser levado para outra cidade, mas não quis ir e provocou a confusão”, conta.
O interno seguiria em uma van, escoltado por policiais, já que não pode ser conduzido em viaturas policiais. Segundo R.P.C. relatou ao major Lamoso, ele teria se assustado ao perceber a transferência, já que não teria sido avisado com antecedência. “No momento que avistou os policiais, ele pulou o alambrado para dentro da Unidade de Internação e fomentou a rebelião”, salienta.
Os cerca de 40 meninos que estavam no local passaram a gritar e a arremessar as cadeiras contra os funcionários da instituição. “Três funcionários que estavam no pátio foram cercados pelos internos e ficaram sob ameaças”, diz o major.
Um grupo ameaçou fugir, mas desistiu ao avistar os policiais militares, segundo conta o major Lamoso. Quatro funcionários ficaram feridos durante o tumulto, a maioria com escoriações pelo corpo. O caso mais grave foi o de Rubens Guardiola Esteban Filho, que recebeu uma pancada de barra de ferro na cabeça e sangrou bastante, sendo conduzido para atendimento médico fora da Febem.
Reforço policial
De acordo com a assessoria de imprensa da Febem, alguns internos ameaçaram subir no telhado. Para conter a desordem, foi requisitado reforço policial. Além dos dez PMs que estavam no local aguardando a transferência de R.P.C., mais dez - do Canil e do Tático - foram enviados à instituição.
Algumas funcionárias da unidade se assustaram com o tumulto e correram para fora. Elas não quiseram relatar para a imprensa o que estava acontecendo, mas demonstravam bastante nervosismo e preocupação com os colegas que estavam lá dentro. A gritaria dos menores e o latido dos cães da PM eram ouvidos do lado externo, o que aumentava o temor das servidoras.
De acordo com o major Lamoso, o efetivo da polícia cercou os rebelados, que ficaram acuados no muro. “Quando viram os policiais, eles jogaram no chão os pedaços de pau e ferro que tinham nas mãos e se acalmaram”, conta.
A diretora da unidade, Maria Aparecida Bien, chamou R.P.C. e mais dois internos para conversar, enquanto os demais foram encaminhados para os alojamentos.
Três menores também ficaram feridos durante o tumulto, mas foram atendidos na própria unidade, já que tiveram escoriações leves, relata o major Lamoso.
No início da noite, às 18h20, R.P.C. foi levado para a unidade da Febem de Lins, dessa vez sem oferecer resistência, de acordo com a polícia.
Segundo a assessoria de imprensa da Febem, o tumulto não pode ser caracterizado como rebelião, já que a polícia não chegou a perder o controle da situação.