Regional

Avícolas estão sob controle, diz SIF

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 5 min

Itapuí - Apesar da polêmica criada em torno do suposto excesso de água nos frangos produzidos por duas avícolas de Itapuí (44 quilômetros a Nordeste de Bauru), o escritório regional do Serviço de Inspeção Federal (SIF), em Bauru, informou ontem que os seis abatedouros de aves da região estão sob controle.

Entre eles, estão a Avícola Santa Cecília e a Polifrigor Indústria e Comércio de Alimentos, ambas de Itapuí. As duas tiveram seus produtos coletados pela Delegacia Seccional de Polícia de Jaú em diferentes estabelecimentos comerciais.

Duas amostras de cada empresa foram enviadas para análise e ficou constatado que os índices de água estavam acima do permitido por lei.

Ambas as empresas foram autuadas pelo SIF, mas análises posteriores, feitas pelo próprio órgão federal, constataram que os frangos, dentro das avícolas, apresentavam índices compatíveis com o exigido pelo Ministério da Agricultura e Abastecimento.

Foram coletados dez frangos de cada uma das empresas e de acordo com o chefe da regional do SIF, em Bauru, Celso Fernandes Joaquim, o resultado foi satisfatório.

Ele informou que, na média, os frangos da Avícola Santa Cecília continham 5,83% de água e os da Polifrigor 7,25%.

Joaquim explicou ainda que todas as fiscalizações do SIF são executadas sem aviso prévio. Ou seja, de surpresa. Segundo ele, uma parte dos frangos é coletada de manhã e, a outra, à tarde.

Se a absorção de água estiver no limite, são tomadas medidas corretivas para evitar que ela extrapole o máximo permitido. “Se estiver muito acima, nós autuamos imediatamente”, declarou o fiscal.

Depois de autuada, a empresa tem dez dias para apresentar a defesa. Se o problema persistir, a linha de produção é suspensa e na seqüência a empresa pode ser interditada.

A primeira autuação vem acompanhada de uma multa de 25 mil Ufirs (cerca de R$ 26,5 mil). Embora a Unidade Fiscal de Referência (Ufir) esteja extinta, ela continua sendo um indicador econômico.

Nos eixos

Segundo Joaquim, normalmente, após a primeira autuação as empresas “entram no eixo”. Além das duas avícolas que estão sendo investigadas pela Delegacia Seccional de Jaú, o SIF de Bauru é responsável ainda pela fiscalização de uma terceira avícola de Itapuí, duas de Bariri e uma de Arealva.

Embora hoje, a situação esteja sob controle, Joaquim disse que “várias” empresas foram autuadas durante ações realizadas pelo SIF.

No entanto, ele preferiu não divulgar o nome dessas empresas. Segundo ele, o procedimento visa preservar a empresa e evitar um prejuízo econômico, uma vez que ainda cabe defesa às infratoras.

Armazenamento

O representante do SIF confirmou a afirmação feita pelo proprietário da Polifrigor, Pedro Poli, ontem em matéria publicada no Jornal da Cidade. Segundo o fiscal, realmente podem haver variações na quantidade de água dentro de um frango se ele não for corretamente armazenado.

“Se a temperatura não for a ideal (-12 graus), o frango perde mais líquido, além daquele que ele incorporou (no processo industrial)”, ratificou o fiscal.

Joaquim confirmou também a informação do secretário estadual de Agricultura, Duarte Nogueira. Eles declararam que as denúncias de excesso de água nos frangos são registradas em todo o País.

Até por esse motivo, o SIF está intensificando as fiscalizações. Além das inspeções de rotina, existe uma equipe volante que realiza auditoria nas empresas.

“Estamos com uma ação firme em cima dessas suspeitas”, disse Joaquim. “Estamos autuando e recomendando, quando é o caso, que a chefia de São Paulo autorize a suspensão da produção.”

Segundo ele, o consumidor também precisa ajudar. “Se o produto estiver ruim, tem que devolver a mercadoria e encaminhar a denúncia ao SIF”, recomendou. “Nós coletamos o produto e mandamos para análise.”

Lara

De acordo com a chefe da seção físico-química do Laboratório de Referência Animal (Lara) de Campinas, que se identificou apenas como Amélia, não é procedimento comum da empresa utilizar apenas dois frangos como base para análises.

“Normalmente, nós fazemos em pelo menos seis amostras”, informou ela. Embora esse seja o número ideal, Amélia ressaltou que o laboratório é um prestador de serviço para o Ministério da Agricultura. E como tal, se for pedido para analisar apenas duas amostras, o serviço é feito.

“A atribuição do laboratório é fazer as análises. O parecer sobre o resultado compete exclusivamente ao SIF”, afirmou.

O laudo divulgado esta semana pela Delegacia de Polícia de Jaú teve como base a análise de dois frangos da Avícola Santa Cecília e dois do Frigorífico Itabom.

Nos dois casos, o resultado apontou que os produtos estavam com água em excesso, variando de 15,8% a 19,5%. De acordo com as normas do SIF, o máximo permitido é 6% de água em frangos congelados e 8% em frangos resfriados.

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Novos rumos

Jaú - O delegado Wanderley Vendramini, do 1.º Distrito Policial de Jaú (47 quilômetros a Leste de Bauru), aguarda a chegada de outros laudos do laboratório Lara para dar início a um novo rumo às investigações.

Ele quer saber se as análises fazem alguma alusão sobre violação de embalagens. Se o laudo apontar que as embalagens dos frangos encaminhados ao laboratório estavam com perfurações os proprietários dos estabelecimentos comerciais, onde o produto foi adquirido, podem ser responsabilizados pela fraude.

“Quero ver se ficou provado que a embalagem não foi violada”, explicou o delegado. “Se ela apresentar perfurações é indicativo de que foi o supermercadista que injetou água no frango.”

Nesse caso, Vendramini informou que os responsáveis devem responder criminalmente pela manipulação.

“Antes de tomar qualquer decisão, preciso do laudo.” Só depois disso, ele decidirá se abre ou não inquérito policial.

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