Nada parece ser pior do que entrar em um automóvel para dirigi-lo e sentir como se estivesse em uma lata de sardinhas, tamanho o aperto que alguns modelos “proporcionam” aos ocupantes. A situação costuma ser típica se a combinação de dois fatores estiver presente: condutores acima de 1,80 metro em veículos “populares”, estes de dimensões compactas por natureza.
Das quatro montadoras - Fiat, Ford, General Motors e Volkswagen - consultadas pelo AutoMercado&Cia sobre o assunto, apenas a segunda pronunciou-se. Segundo Célio Galvão, assessor de imprensa da marca, tal realidade não se aplica a Ford. “Notadamente, no novo Fiesta e Ka, que têm o melhor padrão do segmento”, garante ele, sem citar números e comparações.
Apesar disso, o fato é que a má postura ao volante de forma geral, não somente para os mais “altinhos”, pode provocar sérios danos à saúde. Contraturas musculares, dores nas articulações, pescoço, mãos, pés, joelhos e, principalmente, na coluna são apenas alguns dos problemas que posições incorretas ao dirigir pode causar aos motoristas.
É o que alerta o ortopedista bauruense Aliomar Ferri Amaral, para quem a postura ideal ao guiar deve levar em consideração, principalmente, o conforto da coluna vertebral. O médico explica que, para obter o máximo bem-estar ao dirigir, deve-se manter bem apoiadas as regiões central e próxima ao glúteo da coluna.
“O ideal é que o condutor do veículo sinta que ambas as partes estão bem encaixadas no banco”, afirma ele. “Se uma delas estiver desconfortável, é certo que sua posição não está correta”, enfatiza o especialista.
Segundo Aliomar, os efeitos mais comuns da má postura no automóvel são as dorsalgias, dores que provocam sensações semelhantes a queimações nas costas. O médico ensina que elas são provocadas devido à sobrecarga da chamada musculatura pára vertebral da coluna, que sustenta as vértebras. “Quando tais músculos trabalham excessivamente, acabam entrando em stress e provocando as dores”, diz.
Também é corriqueiro, continua o especialista, que tais sensações desagradáveis se irradiem à coluna cervical. Isso ocorre, principalmente, quando se anda demasiadamente “encolhido” ao volante. “Pessoas mais altas têm essa tendência, o que pode contribuir para o surgimento de contraturas e dores de cabeça, estas extremamente comuns”, considera ele.
Outra parte bastante afetada pela postura incorreta são os joelhos e os pés. O ortopedista alerta que, por terem pequeno espaço, especialmente em veículos compactos, os joelhos podem ser forçados a realizar demais alguns movimentos, levando a tendinites na região dorsal do pé.
Por isso, estes também merecem atenção especial, conforme Aliomar. “Jamais deve-se dirigir apenas com a ponta dos pés, pois não terão o apoio necessário e trabalharão sempre forçados”, destaca o médico.
Já os braços e pernas, continua o especialista, não sofrem tanto, mas a má postura e o acúmulo de horas ao volante podem ser prejudiciais. “Pessoas que dirigem por ofício, como os taxistas, caminhoneiros e motoristas em geral, costumam sofrer com dores nos ombros ocasionadas pela combinação dos dois fatores citados”, sustenta Aliomar.
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Cuidados
Atenção e alguns segundos para ajustar-se. Essa é a principal receita para se prevenir de possíveis problemas gerados pela má postura ao dirigir um automóvel. Por isso, o ortopedista Aliomar Ferri Amaral recomenda alguns cuidados antes de sair a bordo do seu veículo.
Com seu 1,92 metro de altura, o médico “sofreu” um pouco até acertar a melhor posição para dirigir um dos carros da reportagem do JC, um modelo popular. Já no interior do veículo, ele ensina que o principal objetivo para o motorista é sentir-se confortável ao sentar.
Por isso, os braços nunca devem estar muito esticados nem flexionados para segurar o volante. “Em qualquer um destes extremos os músculos trabalharão sobrecarregados”, explica Aliomar. “A melhor posição das mãos é aquela em que ambas formam um relógio marcando dez horas e dez minutos”, complementa o médico.
Outro procedimento que deve ser evitado a qualquer custo é andar com o encosto do banco posicionado em um ângulo de 90º. “Muitos acham que essa é a posição correta, o que é uma inverdade, pois a coluna vertebral não é reta e possui curvas que podem ser prejudicadas. O certo é rodar com ele levemente inclinado em cerca de 15º”, frisa ele.
Rodar em demasia também deve ser evitado. O ideal, segundo o especialista, é fazer uma pausa para esticar braços, pernas e relaxar a cada duas horas. “Alongar braços, pernas e costas previne problemas e alivia a tensão”, ressalta Aliomar.
Por último, o médico aconselha utilizar o apoio de cabeça para relaxar. “Obviamente, o motorista não deve andar encostado nele, mas deve usá-lo para relaxar a região do pescoço”, conclui ele.
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Preferência pelos 'grandões'
O comerciante bauruense Waldomiro Bueno Júnior, 42 anos, sempre foi um admirador de carros grandes pelas qualidades que eles propiciam a seus donos, especialmente o conforto e a boa potência de motor.
Por isso, e para acomodar com folga seu 1,84 metro de altura, Waldomiro mantém em sua garagem um Omega 94 3.0 automático e mais dois Landaus, estes frutos de sua paixão por automóveis antigos.
Entretanto, mesmo não sendo um “fã” ardoroso dos veículos populares em razão dos motores menos potentes e menor espaço interno, Waldomiro ressalta que terá de se render a eles. Segundo o comerciante, a única desvantagem dos “grandões” é o alto consumo de combustível, quesito em que os compactos 1.0 são imbatíveis.
“Apesar de serem mais luxuosos, espaçosos e melhores para viajar, os autos maiores gastam mais na hora de abastecer. Já os populares têm uma autonomia muito maior, o que os torna ideais para o dia-a-dia”, compara o comerciante.
Diante disso, Waldomiro ressalta que terá de abrir mão do conforto em nome da necessidade. “Ainda vou comprar um popular para efetuar as tarefas do cotidiano, como ir ao trabalho e fazer compras e dispender menos dinheiro com combustível”, pondera ele.
Além disso, acrescenta o empresário, é uma forma de poupar os “grandões” que têm em casa das esburacadas ruas bauruenses. “Por serem mais pesados, eles não suportam o mesmo esforço que os populares, que são mais leves”, finaliza Waldomiro.