Várias cidades da região enfeitarão suas ruas na próxima quinta-feira, dia 19, para a celebração religiosa de Corpus Christi - expressão latina que significa Corpo de Cristo.
A principal característica da festa católica são as procissões, que tradicionalmente percorrem ruas ornamentadas por tapetes com motivos religiosos, produzidos com materiais alternativos como bagaço de cana, pó de serra, vidro moído, sal grosso, pó de café, papel, areia, entre outros.
Os tapetes, que se transformam em verdadeiras composições artísticas, ganham forma no dia da procissão através de um trabalho coletivo que envolve vários segmentos da comunidade.
O ritual de ornamentação tem início nas primeiras horas do dia. Depois de pronto, o trabalho pode ser apreciado por pouco tempo. Ou seja, até o momento em que o cortejo, que reúne multidões de fiéis, percorre a passarela, desfazendo o contorno das obras.
A celebração de Corpus Christi data da Idade Média e tem como objetivo prestar uma homenagem à Eucaristia, sacramento no qual, segundo a doutrina católica, o corpo de Cristo se torna presente. Na opinião do padre Carlos José de Oliveira, de Lençóis Paulista, a ornamentação dos tapetes representa um ato de devoção. “Nós estendemos tapetes e organizamos grandes festas em sinal de adoração a Jesus, presente no sacramento da Eucaristia. É a única vez do ano que solenemente a Eucaristia percorre as ruas da cidade”, afirma.
Segundo o padre José Raimundo de Carvalho, de Macatuba, os católicos ornamentam as ruas para receber o mais ilustre dos visitantes. “Quando os reis visitavam seus súditos, as pessoas ornamentavam as estradas para que o rei passasse. Quando a igreja pede ao povo que ornamente as ruas nós estamos prestando adoração e reconhecimento a Jesus”, afirma.
Além dos fiéis, a festa também tem atraído todos os anos muitos curiosos e turistas, que se deslocam até o local dos cortejos para apreciar a beleza da manifestação religiosa e a criatividade que envolve o trabalho artesanal de confecção dos tapetes.
Vera Cruz
Na cidade de Vera Cruz a tradição se repete há cerca de 40 anos. Os tapetes são ornamentados com serragens, tampinhas de garrafas e areia, tingida em várias cores.
Neste ano, oito quarteirões serão decorados por alunos e professores das escolas, funcionários do comércio e grupos religiosos.
Durante a semana, a comunidade esboça os desenhos que ganharão vida na data da celebração. “No dia de Corpus Christi, por volta das 6h, a rua já está cheia de gente. Cada quarteirão tem um monte de pessoas enfeitando e por volta das 11h está tudo pronto”, afirma Maria Cecília Bonadil Machado, monitora de cultura e uma das coordenadoras do evento.
O cortejo religioso terá início por volta das 14h, em frente à igreja matriz, e culminará com a realização de uma missa no mesmo local. Segundo Maria Cecília, a festa atrai vários moradores da região, especialmente das cidades vizinhas, como Marília e Garça. O evento conta com a colaboração da prefeitura e da iniciativa privada.
A coordenadora afirma que a procissão de Corpus Christi é uma manifestação antiga. “Na Europa, ela já existia há muitos anos. No dia que o Corpo de Cristo saía pelas ruas eles jogavam pétalas de flores. A população colocava vasos de flores e toalhas bordadas nas calçadas. Depois surgiu a idéia dos tapetes e Vera Cruz é pioneira na região”, conta.
Maria Cecília destaca o aspecto de integração da comunidade durante o evento, especialmente no processo de criação dos tapetes ornamentais. “O importante de tudo é a integração, é a manifestação da arte na rua e no chão, mesmo que seja por pouco tempo”, completa.
Iacanga
Em Iacanga, várias entidades estão envolvidas no processo de decoração das 14 quadras por onde passará o cortejo religioso. Entre elas está a Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae), grupos religiosos e da terceira idade, além de escolas. “Cada entidade vai decorar uma quadra”, explica Maria José Grigolin da Cruz, coordenadora do evento.
A procissão terá início depois da missa das 15h30 na Igreja Matriz São João Batista.
Para a realização do evento, a prefeitura colabora com a confecção dos moldes dos tapetes e demarcação do trajeto da procissão. O pó de serra utilizado nas obras é doado por madeireiras e as tintas por comerciantes da cidade.