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Mortalidade infantil cai 48% em 12 anos

Da Redação
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A mortalidade infantil vem diminuindo na região de Bauru, segundo mostra a pesquisa da Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados (Seade). Em 2002, a taxa de mortalidade neonatal (até 27 dias de vida) e pós-neonatal (de 27 dias até 1 ano de vida) foi de 14,23 em cada mil crianças que nasceram vivas. A taxa de mortalidade infantil na região era de 27,3 em 1990, o que mostra uma redução de 48% nos casos de óbitos em crianças menores de um ano.

De acordo com a pesquisa da Seade, a região de Bauru tem a 18.ª menor taxa de mortalidade infantil entre as 43 regiões do Estado de São Paulo. Jaú e Lins, que também fazem parte da área de abrangência da DIR-10, ficaram nas 21.ª e 40.ª posições da pesquisa, respectivamente.

De acordo com a Diretoria Regional de Saúde (DIR-10), os óbitos infantis são causados, principalmente, por problemas perinatais, como descolamento de placenta, prematuridade do nascimento, asfixia, problemas de saúde da mãe. Em seguida, estão as má-formações congênitas, as doenças respiratórias como bronquite e pneumonia, doenças infecciosas e parasitárias e os acidentes (veja quadro).

A pediatra e sanitarista da DIR, Tisuko Sinto Rinaldi, explica que a queda no quociente de mortalidade infantil na região deve-se principalmente à redução das mortes pós neonatais, ou seja, crianças de até 1 ano de idade. “É mais difícil reduzir a mortalidade infantil neonatal, nos primeiros dias de vida. São problemas de prematuridade, no parto, má-formação, problemas de saúde da mãe, crianças que nascem muito fraquinhas”, diz a pediatra.

Em 2001, o quociente de mortalidade infantil foi de 15,3 e em 2000, de 19,0 para mil crianças, de acordo com a DIR.

Um acompanhamento pré-natal bem feito pode reduzir as chances de óbito neonatal, diz ela. “Se a gestante fizer pelo menos seis consultas durante a gravidez e realizar todos os exames básicos, de anemia, pressão alta, infecções e taxa de açúcar no sangue, os problemas que causariam a morte do bebê estarão identificados e o tratamento será eficiente”, afirma Tisuko.

Outro fator prejudicial é a falta de imunidade das crianças, devida ao baixo índice de amamentação. Tisuko orienta que as mães devem amamentar seus bebês no mínimo pelos primeiros seis meses, pois o leite materno carrega anticorpos da mãe que protegem o recém-nascido de doenças como infecções respiratórias.

De acordo com a pediatra, a redução do quociente de mortalidade pós neonatal deve-se principalmente às campanhas de vacinação, melhoria de condições sanitárias, como água potável, esgoto encanado e coleta de lixo e à ampliação dos serviços de saúde, com o aumento da quantidade de unidades e postos de saúde nas cidades. “Assim, reduzimos a incidência de doenças infecciosas e parasitárias, como sarampo, rubéola, diarréias”, conta Tisuko.

Assim como mais da metade das cidades da DIR-10, Bauru possui o Comitê Municipal de Mortalidade Materno-Infantil. Heloísa Lombardi, que é membro do comitê, enfermeira e funcionária da Secretaria Municipal de Saúde, explica que o órgão tem o objetivo de analisar todos os casos de mortes infantis da cidade visando diminuir a mortalidade.

“Nós fazemos um apanhado de todas as mortes, visitamos as famílias e tentamos entender os motivos da mortalidade e o que pode ser melhorado para diminuir as mortes”, explica. Os dados são analisados de forma a encontrar os pontos em comum nas mortes, para que o comitê apresente formas de intervenção visando diminuir os casos de óbitos materno e infantil, segundo Heloisa.

O índice de mortalidade infantil em Bauru, de 14,2 óbitos para mil nascimentos, ainda não é visto como bom pelo comitê, apesar da grande redução nos últimos anos, pois países desenvolvidos, como os Estados Unidos e diversas nações européias, têm taxas de 7 a 9 mortes para mil.

“O trabalho do comitê é diminuir mais este índice, com informação, conscientização e intervenção”, diz Heloísa.

“O trabalho do comitê é que direciona as ações da DIR e do Município. Nós sabemos o que levou cada caso à mortalidade e então podemos planejar atuações eficazes, direcionadas à cada realidade”, afirma Tisuko.

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