Bairros

Alunos protestam contra os mosquitos

Ronaldo Schiavone
| Tempo de leitura: 2 min

Cerca de 200 alunos da escola estadual Doutor Carlos Chagas, na Vila São Paulo, realizaram ontem à noite uma manifestação diferente. Eles se reuniram para protestar contra a grande quantidade de mosquitos, que, segundo eles, está infestando as salas de aula. “Não há condições de ficar lá dentro”, afirma a estudante Tamires Monteiro da Silva.

Com cartazes e faixas alertando sobre os perigos da dengue, eles fizeram uma passeata pelas ruas ao redor da escola. Três viaturas da Polícia Militar (PM) acompanharam o protesto.

A aluna Dayany Pícolo Santos guardou em um envelope os mosquitos que ela diz ter conseguido recolher na segunda-feira à noite. “Só em uma aula, pegamos dez deles”, diz.

O estudante Ademir de Carvalho Pacheco conta que a idéia de fazer a manifestação surgiu neste mesmo dia. “Pedimos para que o pessoal trouxesse os cartazes”, revela.

Para o aluno Lúcio Maykon Cianci, o protesto é a única maneira de chamar a atenção para o problema. “É muito mosquito e nenhuma providência está sendo tomada”, afirma.

Caixa d’água

O coordenador do Núcleo de Controle de Vetores, órgão do Departamento de Saúde Coletiva, Flávio Tadeu Salvador, diz que já tomou conhecimento sobre o problema dos mosquitos no bairro. “No mês passado, um aluno adquiriu dengue. Pelo que apuramos, provavelmente ele foi contaminado no bairro Tangarás, mas pode se tornar um transmissor da doença”, explica.

Ele afirma que a escola passou por uma nebulização. “No dia 31 de maio, a Sucen (Superintendência de Controle de Endemias) aplicou inseticida no local. A diretora foi informada de que o veneno mataria apenas os insetos que estivessem voando e que, se o foco estivesse lá, os mosquitos voltariam dentro de 15 dias”, revela.

Segundo o coordenador, a caixa d’água da escola pode estar servindo como foco de proliferação. “Fizemos a varredura em uma região de 200 metros ao redor da escola e este foi o único local que não vistoriamos, pois não temos estrutura para subir até lá. Vamos fazer um contato com o Corpo de Bombeiros para que eles nos auxiliem a descobrir se ela está destampada”, diz.

Ele conta que a caixa d’água terá que ser esvaziada se forem confirmadas as suspeitas de que há larvas no local. Salvador explica, porém, que os insetos que estão voando à noite não devem ser os mesmos que causam a dengue. “Provavelmente, são mosquitos comuns. O Aedes aegipty não costuma sair nesse horário”, declara.

Bauru já registrou neste ano 146 casos de dengue, sendo 15 importados e 131 autóctones (contraídos na própria cidade).

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