Parece absurdo, mas ocorre com freqüência assustadora em Bauru. Bastam poucas voltas pelo trânsito local para flagrar inúmeras crianças sendo conduzidas irregularmente no interior dos automóveis. Uma falha grave e imperdoável que pode custar a vida de motoristas e, principalmente, dos “pimpolhos” que você cria com tanto sacrifício.
Apesar da farta legislação a respeito, muitos pais, por omissão ou ignorância, a negligenciam. E ela é clara, especialmente a do Código de Trânsito: crianças com idade inferior a dez anos devem ser transportadas obrigatoriamente nos bancos traseiros dos veículos.
Há, ainda, as exceções a essa regra regulamentadas pelo Conselho Nacional de Trânsito (Contran) de 1998.
Entretanto, mais do cumprir a lei, conduzi-los corretamente no interior dos veículos é uma questão de segurança. É o que destaca o tenente Jorge Luis Dias, da 4.ª Companhia de Trânsito de Bauru.
Ele adverte que crianças transportadas soltas ou em posições incorretas podem ferir-se gravemente em acidentes e até mesmo em uma freada brusca. “Devido às enormes forças físicas envolvidas, maiores que o peso dos menores, estes podem ser projetados para fora do veículo ou contra o pára-brisa e esmagados junto os bancos”, alerta Dias.
Por isso, para evitar tragédias o tenente recomenda cumprir as determinações legais e observar alguns cuidados. Um deles é o de obedecer a capacidade nominal do veículo. “Se este possui espaço apenas para dois ocupantes, o certo é que se transporte o pai ou a mãe e mais uma criança, nunca os três juntos”, enfatiza o policial.
Já se um casal possui quatro filhos pequenos e um carro com capacidade para apenas três ocupantes no banco traseiro, a solução, conforme o tenente, é levar o de maior porte na frente. “Isso é permitido desde que ele esteja devidamente acomodado com o cinto de segurança ou em um assento especial”, frisa Dias.
O tenente chama atenção, ainda, para um hábito errado muito comum praticado pelos pais: o de conduzir a criança no colo amarrada ao cinto de segurança junto com o pai ou a mãe. “Isso não é recomendável, pois em uma eventual colisão ou freada forte ela funcionará como uma almofada e será esmagada entre o cinto e o adulto”, adverte ele.
Outro cuidado aconselhado pelo policial é o de observar a posição do cinto de três pontas na criança. Se este encontrar-se próximo à região do pescoço, não saia de casa, pois estará na posição incorreta.
Nesse caso, há duas opções, conforme o tenente. “Ou o pai coloca apenas a parte abdominal do cinto em seu filho ou o faz sentar-se em uma almofada para aumentar sua estatura e fazer com que o mesmo chegue na posição ideal, situada entre a clavícula e o ombro”, ensina Dias.
Já o capitão Nelson Garcia Filho, comandante da 4.ª Companhia de Trânsito, ressalta que a cadeirinha é normalmente utilizada até a criança completar quatro anos. “Após essa idade elas começam a ficar com estatura mais elevada e o assento as incomoda. Com isso, o cinto de segurança passa a ser o equipamento ideal para elas”, explica ele.
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Casal nota 10
O casal bauruense Édson Hirota e Ednéa Hirota é um exemplo a ser seguido quando o assunto é o transporte de filhos pequenos. Pais dos pequenos Pedro, 3 anos, e Mariah, de 1 ano e 7 meses, eles só saem de carro com os “pimpolhos” devidamente acomodados, respectivamente, ao cinto de segurança e na cadeirinha especial.
Ednéa conta que, no início, seus filhos resistiam à idéia de usar os acessórios, mas depois de pouco tempo acostumaram-se. “É um erro dos pais renderem-se ao choro das crianças. Tem de deixar espernear e depois conquistar o bom comportamento com um biscoitinho ou brinquedo”, afirma. “Mesmo que isso faça sujeira no carro, prefiro assim a arriscar a vida deles”, diz.
Ela acrescenta que todos devem seguir com os filhos raciocínio semelhante aos adultos. “No início sentíamos um pouco de dificuldade em nos acostumar com a obrigatoriedade do cinto. Hoje já é normal. Tudo é uma questão de disciplina”, considera Ednéa.
A preocupação do casal com a segurança de seus filhos é tanta que o primeiro presente para a pequena Mariah foi uma cadeirinha especial. “Levá-los no banco traseiro é garantia de segurança e tranqüilidade, pois na frente há muita coisa que chama a atenção das crianças. Além disso, para ocorrer algo grave não é preciso ir longe. Pode ser na esquina de sua casa”, enfatiza Édson.
Outras medidas preventivas adotadas pelo casal quando carrega seus filhos é evitar o excesso de velocidade e abolir o uso do telefone celular. “Quando viajamos respeitamos os limites de velocidade da estrada. Já na cidade não passamos, no máximo, dos 50 km/h”, diz ela.
Já o aparelho de telefonia móvel foi excluído dos bens do casal. Segundo Ednéa, trânsito e celular não combinam. “Estávamos chegando de uma cidade e o Édson foi atender uma ligação e atravessou o sinal vermelho sem perceber. A partir daquele momento resolvemos não tê-lo mais em nome da segurança e do bem-estar familiar”, conclui Ednéa.