A carência afetiva dos moradores do Núcleo Fortunato Rocha Lima é uma característica que não se restringe à comunidade desse bairro e pode ser observada em outras localidades de periferia.
A psicóloga Isabel Cristina Dalco, que atende a população do Núcleo de Apoio Sócio-Familiar (NAF) Parque Júlio Nóbrega, fala sobre sua experiência com moradores do Ferradura Mirim.
“São pessoas totalmente carentes em todos os sentidos”, explica a profissional, que trabalha com pessoas de todas as idades - de crianças a adultos, com sessões individuais ou grupais.
Segundo Isabel, são pessoas que precisam ser ouvidas. “É tão importante. Quando eles chegam aqui, cada um é cada um. Eles são diferenciados, ouvidos e respeitados. Isso já nutre a alma de uma forma compensadora para eles”, afirma.
A assistente social Moema Chaves Barroso, chefe do NAF Parque Júlio Nóbrega, diz que a a auto-estima da população é baixa. “Eles vêm de uma necessidade gritante. Estar ouvindo e dar atenção já os ajuda”, explica.
Devido às necessidades materiais, as pessoas se perdem e não conseguem encontrar suas virtudes. “As frustrações agravam o problema. A pessoa geralmente está totalmente descontrolada, num período depressivo. O marido está desempregado, os filhos passando fome”, observa Moema.
“É preciso ouvir e mostrar que você acredita neles”, acrescenta a assistente social.
Muitas pessoas são encaminhadas à psicóloga do NAF pelo serviço social ou pela escola do bairro. Entretanto, há os que buscam espontaneamente o trabalho do profissional. “Alguns têm consciência de que precisam de ajuda e buscam”, expõe Isabel.
Por esse motivo, a demanda é grande. O NAF atende, em média, 20 pessoas diariamente. Aproximadamente 10 são encaminhadas à psicóloga para atendimento continuado através de agendamento.