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IPA produz 45 toneladas de milho

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 4 min

O Instituto Penal Agrícola (IPA) de Bauru está colhendo 45 toneladas de milho. A produção faz parte do projeto de auto-suficiência que o presídio semi-aberto está desenvolvendo há mais de dois anos. Dos 269 alqueires da antiga fazenda, 50% está ocupado com plantações. A previsão é de que no próximo ano a produção de milho alcance 60 toneladas.

A movimentação é grande no parque agrícola do IPA. Trinta detentos trabalham na colheita que deve terminar neste mês. Diariamente são colhidos 400 cestos de milho, que carregam de oito a dez carretas.

A produção de milho alimentará as 450 cabeças de gado que fornecem 100% do leite consumido pelos cerca de 680 reeducandos. A partir de julho, a unidade prisional poderá consumir a primeira retirada de peixes do programa de piscicultura que está sendo desenvolvido na busca pela auto-suficiência.

No setor de pecuária, que inclui bovinos e suínos, a produção própria conseguiu reduzir em 20% as compras do instituto, comemora o diretor-geral Gilberto de Assis Oliveira. De acordo com ele, a filosofia de trabalho adotada pelo presídio está apresentando resultados positivos. “Os detentos estão aprendendo a plantar, colher e a cuidar do gado. Para cada três dias trabalhados, eles descontam um dia da pena.”

Parcerias

Uma parceria entre o IPA e a Aciflora proporcionou a oportunidade de ocupar dois alqueires com plantação de eucalipto, segundo frisa o diretor técnico de divisão, Roberval Cervante Doro. “Eles forneceram a muda. Nós plantamos e temos que deixar a plantação intocável por cinco anos.”

Após este período, o eucalipto, segundo o diretor, atinge o tamanho permitido para a poda. “Podemos cortar e vender a madeira. Ainda não fizemos os contatos porque pretendemos acompanhar o crescimento dos eucaliptos para depois comercializá-los.”

Além do eucalipto, o IPA está cultivando cana-de-açúcar para a alimentação do gado. “Em épocas de seca, o milho, a mandioca e a cana são triturados para alimentar o gado. Os pastos ficam secos e os animais podem perder peso. Para que isso não aconteça, preparamos a alimentação deles com a cana e o milho.”

O cultivo de legumes e verduras, que emprega cerca de 25 detentos, já atingiu 90% do consumo interno. “Também estamos produzindo coco-anão e citrus, que ainda não estão em fase de colheita.”

Mandioca palito

O plantio de mandioca do presídio ocupa uma área de três alqueires, e a produção esperada pode chegar a 120 toneladas, avisa Roberval Doro. “A mandioca serve para a alimentação dos animais, peixes e para consumo interno. O excedente será vendido para a cooperativa agrícola de Ubirajara.”

Na parceria, a cooperativa forneceu as ramas de um tipo especial de mandioca com o compromisso de que toda a produção fosse vendida para eles, segundo explica o diretor. “É um tipo especial para fabricação de mandioca palito e farinha.”

O presídio está produzindo uma variedade grande no setor de piscicultura e pretende ser um fornecedor de peixe para as creches municipais, segundo enfatiza o diretor-geral, Gilberto de Assis Oliveira. “Queremos ajudar na alimentação das crianças das creches.”

A proposta que está sendo estudada e poderá ser viabilizada, na opinião do diretor, seria a da prefeitura ceder a alimentação dos peixes em troca do fornecimento do alimento. “Nós entramos com a mão-de-obra e com os tanques para a criação. A prefeitura forneceria o alimento dos peixes e, em troca, levaria a produção para as creches.”

O diretor ainda não entrou em contato com a prefeitura para aventar a possibilidade do convênio. “Através da Funap (Fundação de Amparo ao Preso), pretendemos vender verduras, legumes e carnes a partir do ano que vem. A arrecadação seria revertida em investimentos tecnológicos na área agrícola.”

Área educacional

Na área educacional, o IPA mantém 150 alunos matriculados na alfabetização. “Estamos aguardando a liberação da Funap para iniciar mais três classes que já estão montadas esperando monitores”, explica a diretora do núcleo de educação, Claudete Martins Carradore.

O diretor de reabilitação, Evandro Bueno Campanã, explica que na chegada é feita uma avaliação do preso. “Quando o reeducando chega até a unidade, nós fazemos uma avaliação social, psicológica e do nível de escolaridade.”

A partir daí, o detento é matriculado e passa a trabalhar no período diurno e estudar no período noturno.” Eles são obrigados a estudar. É uma forma de inseri-los na sociedade”. De acordo com o diretor, o presídio aguarda a ampliação do número de salas de aula e de professores. “Fizemos um pedido à Funap.”

Além do ensino básico, segundo a diretoria da unidade prisional, no ano passado foram desenvolvidos cursos profissionalizantes de cabeleireiro, pedreiro, informática e marceneiro. “Neste ano, estamos aguardando uma parceria para desenvolver outros cursos. Pretendemos realizar cursos de garçom e cozinheiro.”

Um curso de cidadania, fruto de uma parceria do IPA com a Universidade Paulista (Unip), está sendo desenvolvido com 40 alunos matriculados. “Eles recebem informações de direito civil, do trabalho e penal. O objetivo é a inserção social. Estamos preparando-os para que tenham oportunidade no mercado de trabalho assim que cumprirem a pena.”

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