Bairros

Ponte Ayrton Senna será recuperada

Ieda Rodrigues
| Tempo de leitura: 3 min

A Secretaria Municipal de Obras pretende começar em 15 dias a recuperação da ponte Ayrton Senna, que liga a região do Núcleo Mary Dota ao Distrito Industrial 1. A construção está interditada desde o último dia 7 de janeiro por causa de rachaduras surgidas na estrutura, o que obriga os motoristas a percorrer vários quilômetros a mais para chegar de uma região à outra.

Cerca de 30 mil moradores da região do Mary Dota estão sendo prejudicados pela interdição da ponte, cuja causa está sendo analisada na Justiça. Já foram solicitados laudos, mas até agora não está esclarecido se a responsabilidade pelo surgimento das rachaduras é da Prefeitura ou da Tofer Engenharia, que construiu a estrutura.

A recuperação da ponte será feita em duas etapas, segundo o secretário de Obras, Antônio Carlos Duarte. A primeira consiste no reforço das estacas que sustentam a estrutura e a segunda, na construção de blocos sobre as estacas.

Só para a primeira etapa, a estimativa é gastar R$ 127 mil, mais da metade do valor total da ponte. “Se a Justiça concluir que a construtora é a responsável pelas rachaduras, a prefeitura vai entrar com uma ação de ressarcimento. Se concluir que a responsabilidade é da prefeitura, ela já está assumindo a recuperação”, diz Duarte.

A ponte, que custou cerca de R$ 250 mil, foi entregue em setembro de 2000, véspera da eleição que reelegeu Nilson Costa (PTB) prefeito de Bauru. Como o caso está na Justiça, a Prefeitura terá que solicitar autorização judicial para iniciar as obras. “Acreditamos que não haverá problema em iniciar a recuperação. Nós queremos é liberar a ponte o mais rápido possível à população”, diz.

De acordo com Duarte, a recuperação da ponte é um serviço especializado e por isso exige a contratação de duas empresas. Ontem foram abertos os envelopes com a documentação e propostas de preços relativos à licitação para contratação de serviços de reforço de estaqueamento. Duas empresas participaram do processo - uma de Campinas e a outra de São Paulo.

Uma das empresas não apresentou a documentação exigida no edital e foi desclassificada. A proposta vencedora foi a da empresa Sondosolo Geotécnica e Engenharia, de Campinas. O custo apresentado foi de R$ 127 mil para a execução de 1.080 metros de estacas tipo raiz e 60 metros de estacas metálicas tipo mega.

Duarte pretende iniciar, nos próximos dias, a licitação para contratar serviços que visam a implantação dos blocos sobre as estacas. A expectativa é liberar a ponte dentro de três a quatro meses a partir do início dos trabalhos de recuperação.

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Discussão jurídica

O caso da ponte do Mary Dota foi parar na Justiça depois que a prefeitura, por medida de segurança, interditou a estrutura por causa das rachaduras. A prefeitura impetrou medida cautelar com pedido de produção antecipada de provas.

Na ação, o município pede que sejam apontados os problemas da ponte e se foi ou não construída conforme o projeto original. A suspeita é que a inclinação entre as estacas, de 2,4 metros, prevista no projeto, não foi respeitada.

Se a ponte foi construída seguindo o projeto, a prefeitura solicita a indicação das possíveis causas das rachaduras. Se ficar concluído que as rachaduras surgiram devido a erro da construtora responsável, a Tofer Engenharia, a prefeitura poderá acioná-la para ressarcir o valor gasto na recuperação da ponte.

O juiz que analisa o causo solicitou um laudo pericial, que foi iniciado em março. O perito responsável pelo laudo, Denilson Douglas Bernardo, fez medições na ponte e fotografou as rachaduras. Porém, até ontem, ele não havia concluído o laudo.

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