Pesca & Lazer

Iscas especiais e GPS facilitam pescaria

Roberta Mathias
| Tempo de leitura: 5 min

As opções de pesca no Alto Xingu são muito variadas, convidando os pescadores para um desafio ainda maior, já que a grande maioria, com exceção de João Pereira dos Santos (Jhonny Boy) e de Mauro Alexandre Ferreira da Silva, não conhecia a região.

Isso fez com que o grupo se unisse ainda mais, aproveitando da experiência de cada um para buscar o melhor da pescaria no Alto Xingu. João Pereira e Adilson Caramello aproveitaram das facilidades do GPS para marcas os pontos de pesca mais produtivos, conferir a pressão atmosférica, controlar o consumo de combustível e, até, estar preparado para um possível acidente com o piloteiro. “Com o GPS você volta para o Rancho Xingu sem nenhum problema, inclusive navegando em locais mais fundos, desviando de pedras e galhadas submersas”, explica João Pereira.

Em busca das esportivas matrinxãs, Ronaldo dos Santos tentou várias opções, e foi, como ele mesmo diz: “Amor à primeira vista. Quem experimenta, se apaixona e não quer outra pescaria”, comenta. E assim foi. Todos os dias, ele e seu parceiro Adilson Caramello (nosso professor de dança no rancho!) saíam para pescar. A pescaria evoluía diariamente, mas os exemplares com mais de 2 quilos demoraram um pouquinho.

“Já tinha sido alertado que as iscas de superfície não teria sucesso, mesmo assim, arrisquei com iscas Ken Stick e TD-Pencil. À noite, quando conversávamos sobre as pescarias do dia, troquei algumas idéias e mudei de estratégia: ataquei com a minha araçatubinha, uma isca de madeira. E deu certo. No último dia peguei o meu troféu, uma matrinxã de 2,78 quilos.”

Parceiros de pesca

“É mais fácil encontrar uma mulher para casar, do que um companheiro de pesca!”, com esta frase, Celso Couto Júnior traduz a importância da relação de amizade entre os pescadores durante a viagem. Com uma energia aventureira, Couto acampou no Rancho Xingu com os companheiros Oscar de Azevedo Noif (Tarzan) e André Noif. O trio paulistano não quis perder a oportunidade de participar da “expedição”, mesmo quando não havia mais vagas no rancho. E assim foi.

Oscar Noif acrescenta que a pescaria traz três momentos de muita alegria: “Antes, curtimos preparando a tralha para a pescaria; durante, quando encontramos os amigos e, finalmente, pescamos; e depois, com as lembranças e histórias para contar”. Sua experiência é passada para o filho André, que pela primeira vez participa de uma aventura tão atípica como essa. “Achei que pescaria mais, só que os peixes entraram em greve comigo”, brinca.

Ele comenta que ficou um pouco chocado com o desmatamento. Aluno de gestão ambiental, André não deixou de notar as grandes áreas devastadas, que infelizmente trazem muitos prejuízos à região. “São pastos imensos com meia dúzia de cabeça de gado. O nosso cerrado não possui uma legislação que o proteja!”

Já os gaúchos Lauro Rosset e Fábio Teixeira são parceiros até no esquecimento. A dupla confundiu-se com a data da viagem e perdeu o ônibus, que saiu de São Paulo com a maioria do grupo, no dia 30 de maio. “Para nós, o dia 30 seria no sábado e não na sexta”, comenta Rosset. Os amigos, adeptos da pesca de fly, avaliaram com bastante entusiasmo o período de pesca no Xingu.

“Me impressionei com a quantidade de espécies possíveis de pegar na isca artificial e no fly”, conclui Rosset. Já Teixeira ficou realmente impressionado com a cachorra. “Como briga! Comecei pescando no fly e depois passei para a artificial, pesquei muito, espécies que nunca havia pescado, como a cachorra-facão e o palmito (mandubé)”, comenta Teixeira.

Pequenas espécies encantam

A pescaria de pequenas espécies também foi alvo dos pescadores. Desde o lambarizinho, fisgado no pier do Rancho Xingu, até outras mais curiosas como a voadeira e o pacu prata. Nivaldo Souza Guerreiro, um dos fundadores do site TBFTT, dedicou todos os dias de pesca em busca desses exemplares.

“Eu gosto de pescar peixes pequenos no fly, com um equipamento leve. Fiz boas pescarias na frente do rancho, em praias, lagoas. Peguei um peixinho no fly, a voadeira, que o pessoal da região nunca pegou no anzol. É uma espécie de sardinha de água doce, que amou a mosquinha seca que usei!”, brinca o pescador, um dos mais animados da turma.

Outra espécie que foi bastante esportiva na avaliação de Guerreiro foi o pacu-prata. “Excelente na pescaria de fly”, finaliza o pescador.

Agracimento à equipe do Rancho Xingu: gerente Dercio José Muniz; piloteiros Jair Dias Siqueira, Domingos Pereira da Silva, Marcelo Vieira Morais, Davi Pereira, Paulo Divino A. Pereira, Samuel Pereira, Elmy Pereira Aguiar, Paulo de Jesus dos Santos, Roni de Souza Dias, Mário Donizete dos Santos, Douglas dos Santos, João Fernando Muniz Júnior e Edinei Silva de Souza; cozinheiras Luzinete Ferreira Santana, Maura Alves Nascimento e Luciana Anady Rodrigues.

A jornalista Roberta Mathias viajou a convite do Rancho Xingu.

• Serviço O Rancho Xingu fica localizado na Bacia Amazônica, Mato Grosso, no encontro dos rios 7 de Setembro e Kuluene, onde nasce o Rio Xingu. O município mais próximo é Canarana MT, a 130 Km do rancho, com estrada de terra em boas condições. Para chegar a Canarana deve-se passar por Barra do Garças (rio Araguaia), onde o pescador verá a melhor opção para ir de sua cidade até a Barra, depois passa-se por Nova Xavantina (rio das Mortes), Água Boa e Canarana (tudo asfalto). De Bauru (SP), onde se encontra a administração do Rancho Xingu, até Canarana MT, são 1.300 Km. Outra opção é ir de avião, para isso consulte o escritório do Rancho pelos telefones (14) 223-5237 e 227-9735, rua Dr. Antonio Prudente 3-196, Bauru SP, CEP 17016-010 ou então, consulte algum táxi aéreo de sua confiança. www.ranchoxingu.com.br

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