Tribuna do Leitor

Um crítico sem memória


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Depois de seis meses tomando champanhe em Paris, FHC volta ao cenário político nacional investindo contra a gestão de seis meses de Lula. Passou a ser como ele mesmo preconizava, o novo neobobo da corte de Brasília, disparando sua metralhadora contra tudo e contra todos. Ao invés de criticar a gestão que dá seus primeiros passos, e sofre com a dificuldade de ter herdado um País absolutamente quebrado do ponto de vista econômico e moral, FHC deveria explicar em uma longa entrevista coletiva uma série de coisas que os brasileiros gostariam de saber. Para não ser injusto daríamos a ele a oportunidade de falar sobre suas grandes realizações nos oito anos em que esteve à frente do Palácio do Planalto.

Por exemplo: Quantos presídios foram construídos por ele em todo território nacional, e quanto ele aplicou em seus governos para o combate à criminalidade? Quantos projetos de leis o Executivo sob seu comando enviou ao Congresso Nacional para o combate a evasão de divisas, combate ao narcotráfico e ao contrabando de armas através de nossas vulneráveis fronteiras?

Quantas estradas federais foram duplicadas e quantos milhões foram investidos no setor de transporte, tendo em vista que nossas estradas estão deploráveis depois de oito anos de suas gestões? O que foi feito em oito anos? Porque a BR 101, BR 116 e tantas outras estradas importantes para o transporte de nossas riquezas ficaram totalmente abandonadas durante suas gestões?

A energia elétrica merece um capítulo especial do nosso austero e néo crítico ex-presidente. Teríamos a oportunidade de vê-lo discorrer em bom português sobre o “Apagão” de seu governo, marca registrada de sua pífia gestão. Por que quase ficamos no escuro se a economia não cresceu e se as chuvas não nos abandonaram jamais, como podem provar os institutos de meteorologia nacionais?

Ele poderia nos brindar com uma explicação sobre os motivos que o levaram a autorizar um aumento nas contas de energia do povo brasileiro para cobrir supostos prejuízos das empresas de distribuição de energia. Que tal Fernando Henrique Cardoso nos explicar o caso Banestado, que agora está sendo apurado no Congresso Nacional, e versa sobre o envio de bilhões de reais ao Exterior em contas irregulares que envolvem criminosos, empresários, políticos e outras autoridades do País, que em suas gestões não foram percebidas por ninguém?

São tantas as coisas que gostaríamos de saber do nobre tucano, que uma semana seria pouco para ele tentar explicar tudo. Talvez ele devesse esquecer o governo Lula e ficar os próximos quatro anos em silêncio, meditando por que não levou o nosso imenso Brasil ao pleno desenvolvimento, a ter uma economia condizente com o tamanho de sua arrogância e empáfia. Talvez fosse mais sensato ficar calado, uma vez que enquanto esteve em Brasília ou melhor viajando, nunca se lembrou de combater a fome, a sede, as doenças e tantas outras mazelas que perseguem nosso povo. Se ainda assim quiser falar, que explique por que não fez quando esteve no poder, o que agora cobra de Lula. Seria mais sensato e honesto de sua parte e de tantos outros tucanos que agora brincam com a classe média se transvestindo de baluartes da ética e da cidadania. Que os criadores da CPMF e de tantos outros impostos fiquem em seus lugares aguardando o juízo final, esse sim impiedoso, justo e definitivo. Tanto quanto Lula que dizia o que ainda não está cumprindo, FHC deveria ter realizado o que agora critica. (Rafael Moia Filho - RG 6.711.407-6)

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