Tensão, estresse, pressa, chateação com os buracos e falta de infra-estrutura viária. Quando se fala em trânsito, principalmente em Bauru, é fácil tais problemas serem lembrados. Mesmo assim, sempre há quem tenha disposição e bom humor para “brincar” ao volante. E uma das principais formas de se conseguir isso é o uso de adesivos que estampam frases ou mensagens curiosas, engraçadas e, às vezes, sérias.
Um dos adeptos de tal “filosofia” das ruas é o auxiliar de serviços funerários bauruense Claudinei da Silva Gomes, 38 anos. Dono de um Chevette a álcool 1981, ele gastou apenas R$ 5,00 para afixar no vidro traseiro um colante com os seguintes dizeres: “É véio mais tá pago”.
Com orgulho, ele explica que resolveu colocar o adesivo para demonstrar de uma forma engraçada que é proprietário “de fato” do automóvel. “Ele pode ser velho, mas pelo menos é meu e está quitadinho”, ressalta ele, rindo. “As pessoas me param direto na rua perguntando onde fiz e comentando que acharam legal o adesivo”, acrescenta Claudinei.
O auxiliar revela que adquiriu seu Chevrolet há cerca de dois anos e meio aproveitando um “dinheirinho” poupado com muito sacrifício e reunindo mais um pouco oriundo das merecidas férias do serviço. Mesmo com alguns amassados na lataria e na traseira, que ele não se importa, pois afinal o carro já está pago, Claudinei só gostaria de trocar o estofamento interno. “Aí sim ele ia ficar bom pra valer.”
Apesar disso, os carros dos sonhos do auxiliar de serviços funerários são outros. Os dois prediletos são o Voyage e a Parati, que também receberiam o adesivo com os mesmos dizeres de seu atual Chevette. “Tão logo eu os pagasse já colocaria”, garante Claudinei.
Outro admirador das frases de efeito no trânsito é o caminhoneiro Adnei Esperândio, 32 anos, cuja família é de Bauru. Há 13 anos na profissão, ele destaca que tais mensagens são “moda” nas estradas e, por isso, decidiu colar uma em seu “bruto”.
A preferida, entre as várias existentes e muito comuns nas portas de restaurantes onde Adnei costuma alimentar-se, foi “Nóis capota mais num breca”, colada junto ao capô do caminhão. Apesar da escolha, Adnei garante que em uma eventual emergência não segue o que a frase diz. “Na hora do sufoco freio pra valer”, diz ele, rindo.
Mas Adnei não quer parar por aí. É que ele pretende pintar no pára-barro traseiro do “bruto” uma das famosas frases de caminhão. Para isso ele até já se decidiu. “Quero colocar aquela que louro só não pega aids porque só dá o pé”, conta ele.
“Só o pó da bagaça”
Essa é a mensagem transmitida pelo adesivo branco afixado na Brasília amarela 1978 do artesão bauruense Hélio Ricardo da Silva, 37 anos. A exemplo do auxiliar de serviços funerários Claudinei da Silva Gomes, também gastou os mesmos R$ 5,00 para ter tal “privilégio” em seu veículo.
Ele considera que usar as frases no automóvel é uma forma descontraída de se distrair um pouco das tensões cotidianas do trânsito. Hélio explica, ainda, que “só o pó da bagaça” significa encontrar-se em uma situação lastimável. “É uma expressão muito usada pelo povo quando alguém está embriagado ou quando resta um último cartucho para fazer algo”, ressalta Hélio.
Segundo o artesão, quem mais se diverte com a “mensagem” em sua Brasília são as crianças. “Elas zoam e enchem tanto o saco que minha esposa mandou até eu tirá-la do carro”, revela ele, rindo.
Entretanto, se pudesse, Hélio afirma que até acrescentaria uma frase na Brasília. A preferida seria “Evite a ressaca. Mantenha-se bêbado.”
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Aviso sério
A comerciante bauruense Silvana Bianchi, 34 anos, resolveu misturar o bom humor e a seriedade para mandar um “alerta” aos que circulam pelas vias bauruenses.
Dona de um Santana 1985 comprado há um ano e meio, ela colocou no veículo, logo abaixo do porta-malas, um pequeno colante que avisa: “Visite Bauru e ganhe uma multa”.
Ela explica que, apesar de nunca ter sido autuada no trânsito, decidiu pôr o adesivo, presente de um amigo, para chamar a atenção para “o que está acontecendo”, segundo Silvana. “Por qualquer coisa os guardas estão canetando a gente”, considera a comerciante. “Dia desses um policial me parou e questionou o por quê do colante. Respondi que mal eles olhavam e já multavam”, acrescenta Silvana.
Segundo a comerciante, a mensagem ganha “coro” nas ruas. “Quando paro em um semáforo, muitos falam que o aprovam”, garante ela.