Tribuna do Leitor

Os 36 anos do Centrinho


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Datas comemorativas são lembradas com alegria e citadas em homenagens e discursos. Existem algumas, porém, que merecem uma atenção muito especial de toda a sociedade brasileira, e que por isso nós, como representantes dessa sociedade, temos a obrigação de referenciar com maior ênfase. Entrementes, a que passo a me referir, toca de forma diferente meu coração. O último dia 24 de junho de 2003 marcou os 36 anos do Centrinho, como é carinhosamente conhecido o Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais da Universidade de São Paulo (HRAC/USP). No Centrinho se imanam a Faculdade de Odontologia de Bauru – FOB/USP (origem de tudo) e a Fundação para o Estudo e Tratamento das Deformidades Crânio-Faciais – Funcraf (sustentáculo principal). A bênção que representa essa instituição pública chamada Centrinho, que se dedica à reabilitação de lesões labiopalatais, malformação do crânio e da face, além de distúrbios da audição e da visão, tudo 100% gratuito pelo SUS, vem consagrada na crença de seus mantenedoras, de que: todos os portadores de necessidades especiais merecem respeito e amparo numa proporção.

Em 36 anos, são mais de 65 mil atendidos, a partir dos 20 pacientes do primeiro ano de funcionamento. Graças ao trabalho abnegado e irrepreensível de uma equipe multidisciplinar de profissionais, atualmente com mais de 800 pessoas, cheios de calor humano, vários ali há 20, 30 anos, o Centrinho é hoje “Centro de Excelência no Atendimento” e reconhecido como “Referência Mundial” pela Organização Mundial de Saúde (OMS).

Nessa história de sucesso, merece capítulo especial a criação, pelos próprios funcionários do hospital, da Fundação para o Estudo e Tratamento das Deformidades Crânio-Faciais – a Funcraf -, ocorrida em 1985, com o intuito de ser um dos alicerces administrativo e financeiro do Centrinho, dotando-lhe de eficiência e dinamismo. Com essa missão, a Funcraf implanta subsedes estaduais e regionais, em convênio com o ministério da Saúde, descentralizando o atendimento do Centrinho. Nesse ponto, faço menção carinhosa à subsede da Funcraf no Estado de Mato Grosso do Sul, implantada na capital, Campo Grande, com a qual tive a grande honra de contribuir, uma vez como deputado estadual, ao destinar emenda ao orçamento, e de outra vez, como secretário de Estado da Saúde, quando pude executar a mesma emenda, adquirindo equipamentos, materiais permanentes e de consumo para a entidade que nós, também no Estado de Mato Grosso do Sul, chamamos carinhosamente de Centrinho.

Esse conglomerado que irradia esperança e alegria, é notoriamente protegido por São Francisco de Assis uma vez que é um de seus mais fervorosos devotos, o responsável pelo sacerdócio que representa a administração do Centrinho e da Funcraf. Vejam os Senhores: desde suas instituições, ambas as entidades são geridas pela mesma pessoa: o “Tio Gastão”, ou melhor, pelo cirurgião-dentista, doutor em radiologia, José Alberto de Souza Freitas. Todas as menções elogiosas que possamos dedicar ao Tio Gastão, seriam insuficientes. Assim, preferimos louvar os homens e mulheres responsáveis por pensar a política mundial de saúde pela distinção conferida ao dr. José Freitas na OMS, em Gotemburgo na Suécia, como reconhecimento por seu trabalho.

Nessa singela homenagem, busco palavras de João Corrêa, paciente do Centrinho, que diz: “Se lá fora fosse como aqui, a união e a amizade prevaleceriam e o mundo seria muito melhor”. À sua voz se junta a de outros encantados como nós. Professor da Unicamp e pai de paciente, o professor e escritor Rubem Alves exprime nosso sentimento: “A esperança de uma sociedade é algo por que vale a pena lutar. Aconselho, pois, aos desiludidos, que parem de se queixar e visitem aquele lugar, ali cada rosto marcado pelo erro da natureza exibe uma outra marca: a marca da esperança e da alegria”. Parabéns ao Centrinho, orgulho de uma nação.” (Geraldo Resende Pereira - médico e deputado federal do PPS pelo Mato Grosso do Sul)

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