Vitaminas e sais minerais são elementos indispensáveis para a saúde humana. Mas, quando ingeridos de forma indiscriminada, através de suplementos alimentares, eles podem trazer distúrbios sérios para o organismo, como gota, cálculos renais e anorexia.
As informações são do médico reumatologista e geriatra Júlio Horta Filho, especializado em medicina ortomolecular.
Ele alerta que só se deve recorrer a essa reposição nutricional em último caso. “Em primeiro lugar, esses componentes devem ser ingeridos através da alimentação”, salienta.
Basicamente, o organismo humano precisa de 45 nutrientes, entre vitaminas, sais minerais, e outros componentes. Além deles, há o chamado “tripé” da nutrição, formado por carboidrato, proteína e gordura.
Devido ao estresse do cotidiano, é grande o número de pessoas que está recorrendo aos complementos alimentares, no intuito de melhorar o desempenho do organismo e fortalecer as células com a esperança de render mais no dia-a-dia.
Prova disso é a quantidade de produtos para esse fim disponíveis no mercado. A diversidade é tanta que já há lojas especializadas na comercialização de suplementos alimentares.
Para Horta Filho, é um grande erro adquirir esse tipo de mercadoria. “É como tomar remédio por conta própria. A pessoa pode se intoxicar”, afirma.
O acúmulo de determinados nutrientes no organismo pode causar sobrecarga renal e reações alérgicas, prejudicando o bom funcionamento dos órgãos.
Primeiramente, é preciso saber qual a real necessidade do indivíduo no que diz respeito à ingestão desses produtos. Nessa análise, entram ainda a idade e as atividades que pratica no dia-a-dia. “Jamais podemos colocar a suplementação na frente da nutrição. Em primeiro lugar, devemos tirar dos alimentos”, salienta Horta Filho.
Vida agitada
Se todos os alimentos possuem ingredientes necessários para o bom funcionamento do organismo, por que procurar formas artificiais de ingerir vitaminas e sais minerais?
Para o médico, o problema está no estilo de vida contemporâneo. As pessoas trabalham demais, ficam fora de casa a maior parte do dia e não têm tempo de buscar uma alimentação saudável, consumindo, principalmente, produtos processados industrialmente. “Mesmo que se alimentassem de forma adequada, elas necessitariam de suplementação alimentar”, afirma o médico.
No entanto, ele ressalta que é preciso fazer um diagnóstico para conhecer as carências de cada um. “Tem muita gente tomando vitamina C por aí. De fato, é um excelente nutriente, só que ela sozinha não tem muito efeito. Precisa estar associada a outras vitaminas”, diz.
Além disso, Horta Filho ressalta que, quem tem excesso de ferro no organismo e toma vitamina C, vai piorar um processo celular que se chama oxidação, aumentando os radicais livres.
No caso da vitamina E, o efeito é o mesmo. “Se tomar por muito tempo, ao invés de agir como antioxidante, ela vira pró-oxidante, prejudicando o organismo”, alerta.
Como os multivitamínicos possuem uma diversidade grande de nutrientes, quem os consome pode estar tomando pouco do que precisa e muito do que não tem necessidade. Por exemplo, um homem de meia idade, que dificilmente tem carência de ferro, ao ingerir os complexos vitamínicos, estará aumentando a quantidade desse mineral no organismo, o que vai acarretar a formação de radicais livres e, conseqüentemente, o envelhecimento precoce.
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Exame do cabelo
Para se detectar as condições nutricionais do paciente, os médicos realizam dois tipos de avaliação. Uma delas é o mineralograma, uma análise que é feita utilizando fios de cabelo do indivíduo. Através dela, é possível verificar o nível dos sais minerais presente no paciente.
De acordo com o livro “Tratado de Medicina Ortomolecular”, de Efran Olszewer, o material deve ser colhido da região mais irrigada do couro cabeludo. Tintura, permanente e descoloração dos cabelos interferem no resultado final. Nesse caso, é preciso esperar os fios crescerem novamente, por cerca de dois meses, para realizar o teste.
Para complementar o exame, os médicos fazem um estudo do estilo de vida da pessoa, avaliando nível de estresse, tipo de alimentação, prática de exercícios físicos, tudo o que possa determinar o consumo e o gasto de nutrientes.