Polícia

Morte de namorados tem nova versão

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 6 min

Uma equipe da Delegacia de Investigações Gerais (DIG) de Bauru prendeu ontem o marceneiro Eliélcio Cristiano Batista, que confessou ter sido o autor do disparo que matou Marilene Pinho, no início do mês passado. Ela foi assassinada dentro do próprio carro, junto com o namorado, Gabriel Penna, na Quinta da Bela Olinda. A confissão causou uma reviravolta nas investigações do crime.

Em depoimento, Batista contou para a polícia que o casal de namorados foi assassinado em uma trama que visava a morte de uma terceira pessoa. O marceneiro disse que agiu em companhia de Gilberto José Pereira, o Gil, que seria o autor do disparo que matou Penna.

Batista confessou sua participação no crime e alegou que o casal foi morto por um motivo desconhecido por ele, uma vez que a intenção era roubar o carro para matar o cunhado de Pereira. O marceneiro disse que está arrependido, mas que não se entregou para a polícia com medo da atitude de Pereira, que teria ameaçado-lhe de morte na noite do crime.

“Ele mandou eu matar a moça. Eu recusei, mas ele disse que se eu não matasse, iria morrer ali mesmo. Eu fiquei com medo. Saí do carro e atirei sem olhar onde pegou. Fomos embora a pé”, relatou. Porém, ao mesmo tempo que afirma ter sido ameaçado, Batista conta que no dia seguinte ao crime foi trabalhar, como se nada tivesse ocorrido. Atualmente, o rapaz estava desempregado.

Ele disse que não se recorda de ter ouvido falar da morte do casal nos dias seguintes ao crime. “Não ouvi rádio e nem vi nada no jornal. Fiquei na minha”, disse. “Estou com remorso do que fiz. Estou arrependido. Se pudesse, voltaria atrás, mas agora não tenho como fazer isso”, admitiu.

Ele relatou que depois do crime deixou Bauru e foi procurar emprego em Ribeirão Preto e Araraquara. “Ontem eu estava em Agudos na casa de um conhecido quando a polícia chegou. Eu confessei porque não agüento mais esconder isso”, afirmou.

Briga de família

Na versão apresentada por Batista, o assassinato do casal de namorados foi resultado de uma trama que visava a morte do cunhado de Pereira. A intenção do rapaz seria matar seu cunhado porque ele estaria agredindo fisicamente sua irmã. De acordo com Batista, Pereira planejou roubar um carro para fugir após matar o cunhado e acabaram abordando o casal de namorados.

Batista contou que concordou em ajudar o colega a roubar o carro e acabou envolvendo-se no crime. “Eu estava num bar da Pousada e ele (Pereira) chegou. Me convidou para sair. Fomos para o Jardim Pagani e depois para o centro da cidade, onde ele me entregou um revólver calibre 32 desmuniciado e ficou com o revólver 38, municiado”, contou.

À procura de um carro, os dois foram para o Jardim Colina Verde, onde avistaram o Gol ocupado por Penna e Marilene.

De acordo com Batista, Pereira rendeu o casal e sentou-se no banco traseiro do carro, ao lado de Marilene. “Ele ficou atrás do rapaz e eu assumi a direção”, relata. Os quatro foram para a Quinta da Bela Olinda e atrás da caixa d’água, com o carro ainda em movimento e sem motivo aparente, Pereira teria efetuado um tiro na nuca da Penna. “Foi repentinamente. Acho que ele assustou-se quando o rapaz levantou a camisa”, recordou.

O corpo teria pendido para o lado de Batista, que o empurrou de volta ao banco do passageiro. “Fiquei apavorado e virei a direção. O carro derrapou e o revólver calibre 32, que estava comigo, caiu no assoalho do carro”, lembrou. Durante todo o tempo, na versão do marceneiro, Marilene permaneceu com as mãos no rosto, evitando assistir a cena. “O Gil desceu do carro e jogou a mochila dela para fora. Virou para mim e disse que a moça eu é quem tinha que matar”, afirma.

O marceneiro jura que tentou convencê-lo do contrário. “Eu estava nervoso e não encontrava a arma, como não encontrei realmente. Relutei em matar a moça, mas ele me ofereceu o revólver que estava com ele, um 38 municiado, e mandou eu atirar. Disse que, se eu não matasse ela, eu é que iria morrer”, sustentou.

Batista afirma que de fora do veículo atirou sem olhar para a moça. “Nem olhei. Tive medo de morrer. Entreguei a arma dele e fui embora a pé, junto com ele”, afirma.

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Reviravolta

O crime aconteceu na noite do dia 5 de junho deste ano, no residencial Quinta da Bela Olinda, próximo da caixa d’água. O corpo de Gabriel e Marilene foi encontrado por volta das 4h da madrugada, dentro de um Gol que pertencia a família da moça.

A morte dos namorados abalou a cidade e ficou envolta em muito mistério. Inicialmente, a polícia suspeitou que o crime estava relacionado à dívida de droga, já que entre os pertences do casal havia maconha e Penna teria comprado um quilo da erva e não teria feito o pagamento.

A história, segundo o delegado titular da DIG, J.J.Cardia, se confirmou. “A vítima tinha feito a compra e não teria pago. Porém, a dívida não foi o motivo desse crime, tanto que o rapaz que teria vendido a droga e que estava na cadeia por força de prisão temporária, já foi solto por falta de provas. O caso da venda de drogas foi encaminhado ontem para que a Delegacia de Investigações sobre Entorpecente (Dise) faça a investigação”, diz Cardia.

Em menos de um mês, a equipe de homicídios da DIG conseguiu esclarecer um crime misterioso que abalou a cidade pela crueldade com que foi cometido. Gilberto José Pereira continua foragido, mas está com a prisão temporária decretada. O serviço de inteligência da DIG trabalhando para prender o rapaz.

Com a confissão, Eliélcio Cristiano Batista foi preso. Ele estava com prisão temporária decretada por 30 dias. O caso foi encaminhado para o 2.º Distrito Policial, onde o inquérito será instaurado. O distrito deve indiciá-lo por homicídio e pedir sua prisão provisória até que o caso seja julgado.

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Relembre o caso

O casal de namorados Gabriel Penna, 20 anos e Marilene Pinho, 19 anos, foi executado na madrugada do dia 5 de junho no residencial Quinta da Bela Olinda. Eles foram encontrados mortos no interior do Gol de propriedade da família da moça. Ambos foram assassinados com um tiro na cabeça.

O corpo de Gabriel foi encontrado no banco dianteiro do passageiro e o da moça, no banco traseiro. No carro foi encontrado um revólver calibre 32 desmuniciado. No bolso da calça de Gabriel havia um invólucro contendo 0,6 grama de maconha.

A mesma droga foi encontrada em um recipiente plástico na mochila de Marilene. Os dois celulares das vítimas e todos os seus pertences foram deixados no local.

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