O adolescente apreendido (termo usado para menor de idade autor de ato infracional sob tutela do Estado) ontem em um hotel da quadra 2 da avenida Rodrigues Alves disse que saiu de sua cidade natal, Birigüi, e veio para Bauru para vender drogas. “Eu precisava sair de lá porque uns meninos iam me pegar por causa de briga no clube. Eu tinha que fazer dinheiro para pagar uma dívida lá”, confessou à reportagem.
No quarto dele foram apreendidas 17 pedras de crack, das quais cinco são grandes, que pesaram 40 gramas. “Essa quantia é suficiente para fazer pelo menos 150 pedrinhas”, afirma o sargento Miguel Ângelo Cabreira, da Base Centro. Também havia uma pequena porção de cocaína e outra de maconha.
O rapaz, que disse estar em Bauru há 12 dias, confirmou que vendeu algumas porções de droga em Bauru. “Vendi na Rodrigues mesmo. Mas só para ter um dinheiro para me manter”, afirma.
Mostrando-se estar ciente da ilegalidade do tráfico, o adolescente afirmou que prefere vender drogas a trabalhar. “Eu já trabalhei de office boy na minha cidade, mas ganhava pouco. Se eu trabalhar, ganho R$ 200,00, no máximo. E com as drogas dá para tirar de R$ 500,00 a R$ 1 mil por mês”, revela.
Sem estudar há dois anos - ele parou na 1.ª série do ensino médio -, o adolescente diz que só pretende parar de vender drogas quando completar 18 anos. “Aí eu tenho que tomar cuidado, parar, porque posso ir preso”, afirma.
Os policiais militares que apreenderam a droga suspeitam que outras pessoas estavam agindo com o adolescente, apesar dele dizer que atuava sozinho. Com base em anotações de uma agenda apreendida no quarto do rapaz, o sargento Cabreira acredita que ele teria mais de R$ 6 mil para receber em drogas.
Na Delegacia de Infância e Juventude (Diju) foi elaborado ato infracional por tráfico de drogas e o adolescente foi apreendido. O delegado Adib Jorge Filho, titular da Diju, explica que a quantidade de droga encontrada no quarto do adolescente e as circunstâncias dão indícios de que ele traficava, o que é uma infração grave.
O delegado descobriu que o rapaz já foi apreendido em sua cidade natal por tráfico. “Como estava sem um responsável e há forte indícios de infração grave, ele ficará sob custódia, aqui numa cela do NAI (Núcleo de Atendimento ao Infrator), à disposição do juiz da Vara da Infância e Juventude que decidirá qual medida sócio-educativa tomar. Neste caso pode ser a privação de liberdade, com a apreensão na Febem (Fundação para o Bem-Estar do Menor)”, explica.