O movimento do sem-terra denominado Terra Nossa conseguiu matricular 35 crianças no ensino fundamental da Escola Estadual “Professora Ada Cariani Avalone”. O pedido foi aceito pela escola após uma manifestação feita por integrantes do grupo, na manhã de ontem.
Segundo Celso Costa, um dos coordenadores do movimento, o próximo passo é conseguir o transporte gratuito para que as crianças freqüentem as aulas. “Protocolamos ontem uma reivindicação na Secretaria Municipal da Educação e estamos aguardando a resposta.”
A matrícula das crianças de 7 a 14 anos foi confirmada pela vice-diretora da escola, Elizabeth Molina Roberto. “Todas as crianças foram matriculadas e vão freqüentar a escola.”
A reivindicação do transporte vai ser analisada pela Secretaria Municipal da Educação. “Eles protocolaram ontem uma solicitação de transporte e vagas para jovens e adultos. Vamos analisar”, prometeu a diretora de divisão Ruth Crispin de Matos.
O Movimento Terra Nossa, vinculado à Central Única dos Trabalhadores (CUT) está em Bauru desde janeiro, quando 30 famílias ocuparam pacificamente uma área do Horto Florestal Aimorés. Em 27 de janeiro, o grupo mudou-se para um terreno próximo a Pederneiras, onde permaneceu até o final de abril. Em 28 de abril, já com cerca de 130 famílias, o movimento voltou para a região do horto de Bauru, para uma área particular. No dia 4 de junho, os proprietários do terreno conseguiram uma liminar para reintegração de posse e os sem-terra montaram seu acampamento na beira da estrada que liga o Jardim Chapadão ao Esquadrão da Vida e dá acesso ao horto, a cerca de 1 quilômetro da ocupação anterior. A área ocupada oferecia risco às famílias, pois o acampamento foi montado sob linhas de transmissão da Companhia Paulista de Força e Luz (CPFL). Com a nova liminar de reintegração de posse, na segunda-feira as cerca de 200 famílias do Nossa Terra mudaram-se para um terreno a aproximadamente 800 metros do local anterior, já no município de Pederneiras, arrendado pela empresa Lwart, de Lençóis Paulista.