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Economia Solidária discute cooperativas

Da Redação
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Com o objetivo de discutir a implantação de sistemas de cooperativas de trabalhadores da economia informal nos bairros periféricos de Bauru, será realizado amanhã o 2ª Encontro de Economia Solidária. O evento é promovido pelo curso de Relações Públicas da Universidade Estadual paulista (Unesp) de Bauru, em parceria com entidades populares e associações de bairros.

Serão discutidas algumas iniciativas de alternativas de geração de trabalho e renda para a população carente que deram certo em outras regiões do Estado, de acordo com os organizadores do evento. Alguns dos exemplos em pauta são da Associação Acácia de Trabalhadores com Materiais Reaproveitáveis e da União dos Trabalhadores em Serviços Gerais (Utraserv), ambas de Araraquara.

O encontro também foi motivado por uma pesquisa realizada pelo Departamento de Psicologia da Unesp de Bauru, que constatou que em determinados bairros da cidade vêm crescendo os índices de desemprego. No Búcleo Fortunato Rocha Lima, por exemplo, o número de pessoas sem emprego ou ocupação atinge aproximadamente 80% dos moradores.

A Associação de Carroceiros de Bauru também participará do evento, visando conhecer as experiências de cooperativas de trabalhadores que foram organizadas em Araraquara, de acordo com o presidente Aparecido Quirino. “Queremos montar a nossa cooperativa em Bauru, para regularizar e melhorar o nosso serviço. Estamos negociando um terreno próximo ao Núcleo Mary Dota com a Prefeitura”, afirma.

Quirino também pretende discutir com os membros da associação o projeto de lei apresentado à Câmara Municipal nesta semana que pretende disciplinar a circulação e o transporte de cargas e passageiros em veículos de tração animal. O projeto foi encaminhado pelo prefeito Nilson Costa (PTB), e dois dias depois retirado sob o argumento de que seria necessário ampliar as discussões sobre o assunto.

Numa reunião realizada ontem na Prefeitura, Quirino foi informado que o projeto foi recolhido para sofrer algumas modificações. “Não entendemos o porquê, já que na elaboração do projeto, ele passou por diversas Secretarias do município”, afirma Damair Pereira de Almeida, diretora da Organização Não-Governamental (ONG) Montarat, que ajudou na elaboração.

O projeto de lei apresentado determina que as carroças sejam equipadas com freios com alavanca, rodas com pneumáticos e refletores traseiros, e idade mínima dos condutores de 18 anos. Proíbe ainda o transporte de cargas superiores a 150 quilos, o uso de animais doentes e a circulação na área central da cidade entre 7 e 19h, este o ponto mais polêmico do projeto.

“O projeto foi criado para regularizar e disciplinar o trabalho dos carroceiros, antes da criação da cooperativa. E são poucos carroceiros que trabalham no centro da cidade”, afirma Damair.

Segundo Quirino, com a cooperativa, os carroceiros teriam um local para deixarem os animais e as carroças, além de um depósito para os materiais recolhidos, que atualmente ficam na casa dos trabalhadores. “Poderíamos ter um local apropriado, sem risco dos materiais tornarem-se um foco de dengue. Também queremos montar uma horta comunitária, e com o tempo, comprar alguns caminhões para realizar nosso serviço e poupar os animais”, explica.

Damair estima que Bauru possua hoje entre mil e 1.500 carroceiros, mas que apenas cerca de 30% trabalhem realizando serviços como recolher lixo reciclável, transportar objetos e entulho.

• Serviço

O 2ª Encontro de Economia Solidária será realizado amanhã, na Regional do Mary Dota, na rua Izzat Muhammad Saad, 2-14, a partir das 9h. Informações pelos telefones (14) 226-2980 e 234-3626.

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