Articulistas

Endemias indomáveis!


| Tempo de leitura: 2 min

Têm os serviços oficiais de saúde - federais, estaduais e municipais - se empenhado heroicamente tendo em vista livrarem do insidioso mal as regiões do País mais flageladas por endemias. Gastam na batalha muitas energias físicas, mediante o trabalho denodado de seus servidores, e vultosos recursos financeiros por imposição dos altos dispêndios que recaem sobre seus cofres. Não obstante, o problema persiste desafiantemente, porquanto há endemias que se arrastam indefinidamente. Parece até que nunca vão morrer, tidas que são como imortais pela própria natureza. Mas é evidente que não o são com beneplácitos humanos porque se dependessem de determinações dos ambientalistas já teriam batido asas ou se sepultado em necrópoles distantes. Pergunta-se, então, o por quê das indesejáveis centenárias que pululam na maioria das regiões estaduais, caso explícito da esquistossomose, da malária e da doença de Chagas, que vieram para o Brasil na época pré-colonial e ainda hoje constituem séria ameaça à saúde do povo. Tem hoje a malária incidência maior nos Estados do Pará, Amazonas, Acre, Piauí, Maranhão, Mato Grosso-N e Goiás, assim como nos territórios do Amapá, Roraima e Rondônia. Seu nome origina-se da expressão “mal ar” por ser doença que atinge principalmente habitantes de lugares baixos, pantanosos e, conseqüentemente, insalubres. Já a doença de Chagas preferiu hospedar-se preferencialmente nas “cinco estrelas” de Minas Gerais, Goiás, São Paulo, Paraná, Rio Grande do Sul, Bahia, Alagoas e Pernambuco. Sua proliferação é facilitada pelas casas de pau-a-pique, comuns no interior, não são rebocadas e possuem teto de palha, o que contribui para a vida dos “barbeiros”, transmissores da enfermidade, os quais chegam, fazem a “barba” dos que a eles se expõem e os transformam em suas vítimas indefesas, sendo mortais em crianças com menos de 2 anos devido a implicações que causam, entre elas, as clássicas meningites. Quanto à esquistossomose se deve argüir que ela atinge 12 milhões de brasileiros. Provavelmente originária da África, espalha-se praticamente por todo o País. É causada pela Schistosoma Mansoni, que vive nas veias de vários órgãos do homem, o fígado principalmente. E, de anos a esta parte, tem o País, também, a insistência da dengue, aparentemente nascitura, estando aí vivíssima, em plena proliferação, levando às moradias meninas-voluntárias da Saúde, sempre simpáticas e sorridentes, lápis e pranchetas nas mãos, dispostas a detectar e eliminar focos da doença.

Muito têm feito os serviços sanitários e da saúde para acabar ou minimizar as insólitas endemias e, por isso, seria injusto classificá-los de inaptos e inoperantes. Que eles não sejam os mais perfeitos do mundo é certo, mas que quase nada deixam a desejar é verdade, merecendo portanto o maior reconhecimento nacional. É a nossa opinião. (O autor, N. Serra, é o jornalista responsável do JC e delegado regional da Associação Paulista de Imprensa e da Ordem dos Velhos Jornalistas do Estado)

Comentários

Comentários