Uma bomba, provavelmente de fabricação caseira, explodiu no banheiro da escola estadual Luiz Zuiani, no Jardim Marambá, anteontem à noite. A explosão causou o rompimento de membranas de ambos os ouvidos do professor Carlos Geraldo Melro Salzedas, que usava o banheiro no momento do incidente. Ontem, ele estava sentindo dores, mas continuava ouvindo normalmente. Agora, passará por exames que vão determinar a extensão do problema e se ficará ou não com seqüelas.
Pela intensidade da explosão, Salzedas acredita que a bomba seja de fabricação caseira. “O estouro foi muito intenso. Acredito que a bomba usada seja de fabricação caseira, e não uma bombinha vendida para alegrar festas juninas”, ressalta o professor que dá aulas de língua portuguesa na escola.
A bomba explodiu no vaso sanitário do banheiro dos alunos. Por isso, o professor descarta a possibilidade de uma ação direcionada a ele. “Eu não acredito porque o banheiro é dos alunos e raramente os professores o usam. Em 14 anos que leciono, nunca tive problemas com alunos. Estou há um ano na escola e não tenho problemas com os estudantes”, garante.
Com a explosão, o vaso sanitário foi totalmente destruído. A polícia foi acionada e com a ajuda da Polícia Técnica tentou apreender algum resquício para exame posterior, porém nada conseguiu colher.
Uma funcionária da escola, que preferiu não ser identificada, uma vez que a diretora não estava na unidade de ensino ontem à tarde, informou que a explosão é uma ocorrência típica desta época do ano. “Neste ano foi a primeira explosão. Suspeitamos que seja bomba de fabricação caseira porque a intensidade foi maior do que a normal”, explica.
O autor ou autores da explosão dificilmente serão identificados e punidos, na opinião da funcionária. “Ninguém viu quem colocou a bomba. Não podemos punir suspeitos, sem provas. Estamos tentando conscientizar os estudantes sobre os perigos desse tipo de atitude”, afirma.
Ela também classifica o episódio como um acidente. “Ninguém sabia antecipadamente que o professor iria entrar no banheiro, mesmo porque não era horário de intervalo e aquele não é o banheiro adequado a ele”, frisa. Ela ressalta que, se a explosão tivesse ocorrido na entrada, saída ou intervalo das aulas o número de vítimas seria maior. “Nesses horários geralmente o banheiro é ocupado por mais gente”, ressalta.
No 4.º Distrito Policial, que responde pela área onde a escola está instalada, este foi o primeiro caso de explosão de bomba registrado neste ano, explica o delegado Dinair José da Silva. “Não registramos acidentes com bombas neste ano, nem mesmo no mês passado, quando começou o período das festas juninas”, conta.
Susto e dor
O susto, acompanhado pela dor, levou Salzedas ao atendimento médico logo após a explosão. “A diretoria da escola me acompanhou ao pronto-socorro. O médico receitou remédio para a dor e indicou para que eu procurasse um especialista que possa avaliar os danos”, explica.
O professor diz que vai procurar um otorrinolaringologista. “Ainda não sei a extensão do problema. Só depois de passar pelo especialista vou saber o que realmente aconteceu. Sei apenas que a membrana dos dois ouvidos foi rompida”, frisa.
A vítima classifica a explosão como um acidente. “Estava no horário de aulas e eu tive a necessidade de ir ao banheiro. Procurei o banheiro dos alunos e quando estava usando a privada ouvi a explosão, que aconteceu na cabina da frente”, conta.
“A polícia foi acionada, mas não conseguiu recolher nenhum resquício da bomba. O vaso sanitário ficou em pedaços. A sorte que não havia ninguém naquela cabina”, afirma.
Na manhã de ontem, Salzedas ainda sentia dor e zumbido no ouvido. “Na hora da explosão senti dor e zumbido que persistiram até hoje (ontem). Fiquei tão nervoso que sofri ânsia de vômito e tontura”, lembra.
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Violência
A violência nas escolas, especialmente contra os docentes, é uma preocupação da Sindicato dos Professores da Rede Oficial de Ensino (Apeoesp), explica a coordenadora da Subsede de Bauru e Região, Susi da Silva.
De acordo com ela, o tema já foi discutido no ano passado e está pautado para novo debate. “Queremos que o governo desenvolva um programa concreto para resolver o problema. Na nossa área não temos levantamento de quantos já foram vítimas da fúria dos estudantes. Acredito que sejam casos isolados”, opina.
No Estado de São Paulo, no entanto, ela afirma que a indisciplina dos alunos contra os professores é crescente. “Começamos a detectar o problema a partir de 1998, com a implantação do sistema de progressão continuada, onde o aluno automaticamente passa para a série seguinte”, afirma.
O sistema, na opinião da sindicalista, leva o aluno a perder o interesse pelo estudo e a respeitar o professor. “Ele não precisa da avaliação final. Ele só vai ser avaliado no final de cada ciclo. O estudante perdeu o respeito para com os professores”, reclama.
A superlotação das salas de aula é, para ela, outro fator que gera a indisciplina dos estudante e gera revolta contra os docentes. “Não há projeto pedagógico que agüente com as salas superlotadas”, completa.