Organizações não governamentais (ONGs) e a Associação dos Feirantes de Bauru também querem dar ocupação para a extensa área do Sambódromo, no Núcleo Geisel. A intenção foi discutida em reunião realizada ontem à noite pelo Conselho Comunitário de Segurança (Conseg) Sudeste.
Atualmente, apenas a Liga das Escolas de Samba e Entidades Carnavalescas (Lesec) explora o Sambódromo. Ainda assim, somente aos domingos, quando ocorre um feirão de venda de veículos usados na área de concentração das escolas no período da manhã.
Segundo a presidente do Conseg Sudeste, Jaqueline Didier, a reunião contou com a presença de representantes do bairro, do conselho e de diferentes entidades interessadas na exploração do local. “Discutimos a ocupação do espaço do Sambódromo pela Lesec, que só usa uma parte da área e ainda assim aos domingos. Há um contrato de três anos com a prefeitura de cessão de uso. Mas isso não impede que o local público seja melhor aproveitado”, opina.
O presidente da Liga das Escolas, Avelino de Souza, compareceu. Segundo Didier, ele não é contra a ampliação de uso do local. “Temos uma proposta já informada de uma ONG recém-fundada que quer desenvolver um projeto na área de esportes com jovens do Núcleo Geisel. Vamos ajudar na discussão do assunto também junto às Secretarias de Cultura e de Esportes”, informa.
O Conseg também ouviu na reunião o interesse por parte dos feirantes. “Eles querem realizar uma feira semanal, provavelmente às sextas-feiras, no local. O vereador Zito Garcia, que representa a categoria, vai encaminhar essa proposta e acompanhar o pedido”, cita.
A discussão será feita diretamente entre os feirantes e a Lesec. O Conseg não tem poderes sobre a área, mas levantou as discussões em função dos problemas de segurança que surgiram. “Os moradores reclamam que o Sambódromo, que tem uma área extensa ociosa a maior parte do tempo, acaba sendo usado para o consumo de drogas e fica abandonado”, conta.
O Conseg Sudeste vai receber todas as propostas de utilização da área e estabelecer um cronograma de eventos com datas. “Vamos constituir um calendário anual para o local, distribuindo o espaço de forma que ele possa ser bem aproveitado por todos”, explica Didier. A próxima reunião para estabelecer o calendário está marcada para o dia 12 de agosto deste ano.
A proposta ainda envolve o combate ao vandalismo e apropriação do local para uso de entorpecente. “Achamos que a realização de mais atividades coíbe o vandalismo, o uso de drogas no local e o despejo de lixo. Se um espaço público não é utilizado, acaba entregue a esses problemas”, diz.
Além da Lesec, o Conseg convidou associações de moradores, representantes da prefeitura e das entidades assistenciais para a reunião.
O secretário municipal de Cultura, Sérgio Losnak, explica que a cessão do Sambódromo para a Lesec não inviabiliza o uso do espaço por outras entidades.
O contrato entre a Secretaria de Cultura e a Lesec permite à entidade realizar atividades no espaço para arrecadar fundos para custear o carnaval. A Lesec pode explorar o espaço através de eventos, mas se obriga a zelar pela guarda e conservação do imóvel, entregando-o nas mesmas condições que recebeu.