Cultura

Roqueiras se unem para formar banda

Gustavo Cândido
| Tempo de leitura: 4 min

Quem ainda acredita que mulher e rock ‘n’ rol não têm nada a ver, com certeza ainda não conferiu uma apresentação das bandas XYZ, Slave ou Technicolor. Com mulheres no vocal (no caso da Slave na bateria também), as bandas não devem nada a qualquer grupo formado apenas por homens.

E não é uma questão de repertório. Composta, nos três casos, por sucessos do pop rock nacional e internacional, a lista de canções que as três bandas tocam tem covers de grupos como AC/DC, Deep Purple, Kiss e Black Sabbath, entre outros. Uma relação para marmanjo nenhum botar defeito.

As três bandas se apresentam hoje, a partir das 23h, no Armazén Bar, que comemora, com um dia de antecedência, o Dia Mundial do Rock.

A Technicolor, a XYZ e a Slave não são as únicas bandas bauruenses com vocais femininos. Depois de 15 anos de uma carreira marcada pela MPB, a cantora Lizeth também tem colocado sua voz privilegiada à serviço do rock, desde o começo do ano, em seu projeto-paralelo, a banda Madame Pimenta. Roberta Tonasso é outra cantora de rock local. Ela reveza os vocais com o guitarrista Turco no Trio Diabo A4.

A novidade, porém, é que as três bandas acabam de gerar um outro grupo, cuja estréia será realizada hoje mesmo no Armazén. É a banda Lasciha, formada por Manuela Saggioro (Technicolor), Luciane Bertoli (XYZ), Lívia Cordeiro e Adriane Lopes (Slave), além de Fabíola Carlotto. “Já nos conhecíamos e no final do ano passado tivemos a idéia de montar um grupo só de mulheres”, afirma Bertoli, de 29 anos, que também é advogada.

Infância musical

As quatro integrantes da nova banda têm histórias parecidas. Todas se declaram apaixonadas por música desde cedo e têm um histórico de intimidade com os instrumentos e o canto.

Graças ao irmão baterista, Luciane conta que cresceu ouvindo rock em casa. Aos 12 começou a tocar órgão, passou para o piano e acabou professora do instrumento. A XYZ veio também com o irmão. São dez anos na banda - com poucas interrupções.

A estudante Lívia Cordeiro, de 17 anos, começou a tocar aos dez anos, depois de destruir o sofá de casa com baquetas improvisadas na infância. Hoje, apesar de dedicar à bateria na Slave, ela é uma habilidosa multi-instrumentista. Com a mesma idade, a também estudante Adriane Lopes, vocalista da Slave, começou cantando - por brincadeira - na festa de formatura da irmã mais velha.

A paixão pela música era antiga, ela fez aulas de canto no Conservatório da Universidade do Sagrado Coração (USC) e chegou a vencer concursos de canto em Brasília e Roma, na Itália, representado sua escola antes de integrar a banda de rock, onde impressiona com sua performance. Com a parceira de banda, Adriane tem outro ponto em comum: também trocou o balé pelo rock.

Apesar do gosto pela música ser precoce, no caso de Manuela Saggioro, de 21 anos, a Manu, vocalista da Technicolor, a carreira veio tarde. “Tinha vergonha de cantar na frente dos outros”, confessa. Uma vergonha que terminou após uma viagem de 4 meses pelo Brasil. “Saí com o violão nas costas, sem dinheiro, e tive que me virar”, lembra. Na volta, no início de 2002, entrou para a banda que a fez conhecida na noite bauruense.

Apesar de mulheres no rock não serem exatamente uma novidade, segundo as quatro músicas, ainda existe uma certa resistência quando se fala em mulheres cantando ou tocando ritmo. “O problema é que todo mundo aceita a mulher como cantora, mas na hora que você diz que toca também, ninguém acredita”, explica Manu. “Existe preconceito sim, mas vale a pena fazer o que a gente gosta”, diz Lívia Cordeiro.

Mas é uma resistência que se quebra quando se vê uma delas no palco. Hoje, na estréia da Lasciha, as garotas devem quebrar mais algumas barreiras. “Vão ser poucas músicas, uma do Cramberries, outra do AC/DC...”, adianta Lívia. A estréia promete.

• Serviço

Show com as bandas Slave, XYZ e Technicolor e estréia da banda Lasciha, hoje, a partir das 23h, no Armazén Bar. Rua Quintino Bocaiúva, 2-20. Informações: (14) 226-2016.

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